(Foto: Divulgação)
Manaus (AM) – A saída do coronel Clóvis Araújo Pinto Júnior do cargo de secretário executivo da Defesa Civil do Amazonas ocorre em um momento de pressão sobre a resposta do governo estadual à crise climática. Exonerado a pedido, com efeitos a partir de 22 de outubro, o militar havia sido escolhido pelo governador Roberto Cidade para comandar a estrutura estadual de Defesa Civil em junho deste ano. A exoneração foi registrada no Diário Oficial do Estado.
A trajetória de Clóvis no comando do órgão foi curta. Em junho, ele assumiu a função após a saída do coronel Francisco Ferreira Máximo Filho. Em julho, porém, Mauro Marcelo Lima Freire passou a ocupar o cargo de secretário de Estado de Defesa Civil. Em outubro, Clóvis deixou a função de secretário executivo, conforme ato oficial.
A movimentação acontece em meio a uma sequência de episódios que expõem a dimensão dos desafios ambientais e logísticos enfrentados pelo Amazonas. A estiagem severa, os incêndios florestais e a fumaça que encobriu Manaus e municípios do interior pressionaram a estrutura pública de prevenção, fiscalização e resposta a desastres.
Fumaça e queimadas pressionaram o governo
Em setembro, após Manaus registrar níveis críticos de qualidade do ar em meio à fumaça dos incêndios, Roberto Cidade anunciou que havia sugerido ao governo federal o endurecimento das penas contra quem executa, promove ou financia queimadas ilegais. Na ocasião, também citou a contratação de brigadistas, o reforço do Corpo de Bombeiros e o programa Amazonas Mais Verde.
Em outubro, com a persistência da fumaça, o governador voltou a defender medidas mais duras contra os responsáveis por incêndios e sugeriu o emprego das Forças Armadas e o reforço da atuação de agentes federais. O governo também divulgou ações como a ampliação de bases do Corpo de Bombeiros, a contratação de brigadistas e operações de fiscalização. .
As iniciativas anunciadas, contudo, precisam ser analisadas em conjunto com a evolução da crise e os resultados efetivamente alcançados. A existência de programas, contratações e operações não elimina a necessidade de avaliar se as medidas foram suficientes para prevenir os impactos, conter os focos de incêndio e proteger a população.
Ministério Público de Contas questionou atuação estadual
A atuação do governo no enfrentamento às queimadas também passou a ser objeto de questionamento institucional. Em 7 de outubro, o Ministério Público de Contas do Amazonas informou que apresentou representação ao Tribunal de Contas do Estado para que sejam apuradas a suficiência, a eficiência e a efetividade das ações estaduais contra queimadas, incêndios florestais e poluição atmosférica.
Segundo o MPC-AM, a iniciativa foi motivada pela recorrência dos focos de incêndio e das plumas de fumaça durante a estiagem, além da necessidade de verificar se a resposta estatal era proporcional à dimensão do problema. O órgão também formalizou recomendações complementares para reforçar o monitoramento da fumaça, a estrutura operacional, a fiscalização e a investigação dos incêndios ilegais. .
O questionamento não equivale a uma conclusão de que o governo tenha sido omisso ou de que as medidas tenham fracassado. Ele, porém, coloca sob análise a capacidade de planejamento, execução e transparência da administração estadual diante de uma crise que se repetiu e atingiu diretamente a qualidade do ar.
Emergência em saúde amplia pressão sobre a gestão
Em 26 de outubro, o governo estadual decretou situação de emergência em saúde pública por 180 dias, diante dos impactos da estiagem e das dificuldades de acesso a comunidades do interior. 562 comunidades estavam isoladas em razão da seca, com consequências para o transporte de pacientes e o abastecimento de medicamentos e outros insumos essenciais.
A emergência evidencia que os efeitos da crise climática ultrapassam a questão ambiental. A redução do nível dos rios compromete o deslocamento de equipes e cargas, dificulta o atendimento de saúde e exige articulação entre Defesa Civil, Secretaria de Saúde e demais órgãos estaduais e federais. .
Nesse cenário, a exoneração de Clóvis Araújo abre espaço para questionamentos sobre a continuidade administrativa da Defesa Civil, a transição entre gestores e a estrutura responsável por coordenar as ações de prevenção e resposta a desastres.
O ato publicado no Diário Oficial informa que a saída ocorreu a pedido, mas não detalha os motivos.
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