Aadesam demitiu em massa os trabalhadores (Foto: Divulgação/Aadesam)
Manaus (AM) – Ex-funcionários da Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural, Social e Ambiental (Aadesam) cobram a regularização de direitos trabalhistas após uma série de demissões realizadas em julho deste ano, durante o governo de Roberto Cidade. Entre as principais reclamações estão atrasos no depósito do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), falta da multa rescisória de 40% e pendências no pagamento das verbas de desligamento.
Os trabalhadores também relatam problemas envolvendo empréstimos consignados. Segundo os ex-funcionários, parcelas teriam sido descontadas dos salários e das rescisões, mas não repassadas às instituições financeiras. As demissões geraram reclamações entre os funcionários e levaram parte dos trabalhadores a procurar órgãos de fiscalização e a Justiça do Trabalho em busca de respostas.
Ex-funcionários relatam atrasos no FGTS
Um dos trabalhadores desligados, Fábio Félix dos Santos, afirma que foi demitido em 6 de julho. Segundo ele, a convocação para comparecer à Aadesam ocorreu por meio de uma mensagem enviada pelo WhatsApp, sem informar que o atendimento estaria relacionado ao desligamento.

Fábio Félix dos Santos, ex-funcionário da Aadesam, relata como recebeu a convocação e foi demitido em julho (Foto: Arquivo Pessoal)
Fábio afirma ainda que recebeu um documento com data anterior ao dia em que compareceu à agência e que teria sido pressionado a assiná-lo. Além da demissão, ele relata pendências no FGTS e no pagamento da multa rescisória. O trabalhador também afirma que valores referentes a empréstimos foram descontados, mas não teriam sido repassados aos bancos. Segundo ele, os ex-funcionários também enfrentaram dificuldades para obter informações sobre os prazos de pagamento das verbas rescisórias.
Trabalhador afirma ter 13 parcelas do FGTS pendentes
Outro ex-funcionário, Wellington Nobre, afirma que deixou a Aadesam sem receber a multa de 40% do FGTS e que identificou 13 parcelas sem depósito.

Wellington Nobre, ex-funcionário da Aadesam, relata pendências trabalhistas após demissão (Foto: Arquivo Pessoal)
Ele conta que procurou a Aadesam e a Caixa Econômica Federal diversas vezes para tentar solucionar o problema. Segundo Wellington, recebeu diferentes previsões para a regularização dos valores, mas os depósitos não teriam sido realizados.
Diante da situação, ele afirma ter procurado uma advogada e ingressado com uma ação na Justiça do Trabalho. Wellington também relata que foi demitido enquanto realizava exames para uma cirurgia e que não teria passado pelo exame demissional.
Ex-funcionária relata demissão inesperada
Uma ex-funcionária de uma unidade do Restaurante Popular Prato Cheio Braga Mendes, que preferiu não se identificar, também afirma ter sido surpreendida pelo desligamento. Segundo ela, a unidade atendia cerca de 400 pessoas por dia e funcionava com três trabalhadoras. A ex-funcionária afirma que já havia procurado o setor de Recursos Humanos para cobrar pendências relacionadas a férias e depósitos do FGTS.
Ela relata que recebeu uma mensagem na noite de 2 de julho para comparecer à Aadesam no dia seguinte. Como uma das funcionárias estaria doente, afirma que não conseguiu deixar o local de trabalho. Posteriormente, segundo a trabalhadora, ela descobriu que a convocação estava relacionada às demissões.
A ex-funcionária afirma ainda que compareceu à sede da agência em 6 de julho e encontrou outros trabalhadores em situação semelhante. Segundo ela, alguns funcionários teriam sido orientados a deixar a recepção enquanto aguardavam informações sobre os desligamentos. Ela também relata ter recebido um documento de demissão com data retroativa, mas decidiu não assiná-lo.

Trabalhadores recorrem ao Ministério Público e à Justiça
Diante das pendências, um grupo de ex-funcionários afirma ter procurado o Ministério Público e a Justiça para cobrar a regularização dos direitos trabalhistas. Segundo uma das trabalhadoras, o FGTS continua pendente e os ex-funcionários estariam sendo encaminhados entre a Aadesam e a Caixa Econômica Federal em busca de uma solução.
Outra ex-funcionária, Maria Sandra Cardoso, afirma que foi desligada em 3 de julho após receber uma mensagem pelo WhatsApp para comparecer ao setor de Recursos Humanos. Ela diz que não recebeu justificativa para a demissão e afirma que nenhum mês do FGTS teria sido depositado durante o período trabalhado. Também relata que não recebeu a multa rescisória de 40%.
Maria Sandra afirma que procurou a Aadesam quatro vezes para tentar resolver a situação. Segundo ela, recebeu inicialmente a previsão de que os valores seriam pagos em poucos dias, mas posteriormente teria sido informada de que não havia prazo definido. No dia 23 de setembro, segundo a ex-funcionária, foi ajuizada uma ação na Justiça do Trabalho para cobrar os valores.
MPT convoca trabalhadores
O Ministério Público do Trabalho no Amazonas e Roraima (MPT-AM/RR) também convocou trabalhadores dispensados pela Aadesam a partir de julho de 2026 para prestar informações relacionadas ao processo judicial ACPCiv 0000914-80.2026.5.11.0015. Veja a lista:
Os trabalhadores que estiverem na lista divulgada pela Procuradoria Regional do Trabalho da 11ª Região (PRT11) devem responder aos questionamentos do MPT e apresentar documentos que possam contribuir com a apuração. O prazo informado pelo órgão para o envio das informações termina na próxima sexta-feira (2).
Aadesam e Governo são procurados
O Portal AM1 procurou a Aadesam e o Governo do Amazonas para saber quais medidas estão sendo adotadas diante das denúncias apresentadas pelos ex-funcionários, incluindo as reclamações sobre FGTS, verbas rescisórias e empréstimos consignados.
Até a publicação desta matéria, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.
(*) Estagiário sob supervisão do jornalista e editor-chefe Isac Sharlon
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