Manaus, 26 de setembro de 2026
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Manaus, 26 de setembro de 2026

Cenário

Falta de pagamento paralisa transporte escolar fluvial no Careiro e crianças perdem dias de aula

Transporte escolar fluvial é interrompido e estudantes chegam a ir à escola apenas três dias por semana.

(Foto: Altemar Alcântara/Semcom Manaus)

Manaus (AM) – Mais de 30 denúncias sobre atrasos de pagamentos e outros problemas no Careiro estão sendo acompanhadas pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM), em um caso que já chegou à sala de aula: barqueiros responsáveis pelo transporte escolar fluvial afirmam estar sem receber e interromperam o serviço, deixando crianças de comunidades sem acesso regular às escolas.

Segundo relatos de moradores, há localidades onde os estudantes estão conseguindo frequentar as aulas apenas três dias por semana. O problema afeta principalmente famílias que dependem exclusivamente dos barcos para levar os filhos até as unidades de ensino.

Os barqueiros afirmam que não têm condições de continuar bancando o combustível do próprio bolso sem receber pelos serviços prestados.

A dona de casa Andreza da Silva Monteiro relatou que muitas famílias não têm condições financeiras de transportar os filhos por conta própria.

“É um absurdo, porque os barqueiros reclamam que não têm pagamento. (…) Eles precisam receber para poder trabalhar”, afirmou.

Famílias cobram providências

A interrupção do transporte escolar também preocupa pais e responsáveis, que temem os prejuízos causados pela redução da frequência dos estudantes.

O agricultor Isaías Feijó Cortês se emocionou ao falar sobre a situação e pediu atenção das autoridades.

“Meu sonho é ver meus filhos formados. A educação é essencial. Pedir que alguém olhe por nós, porque estamos esquecidos”, declarou.

O Conselho Tutelar do município também recebeu reclamações. Segundo o conselheiro Jaisson Gomes dos Santos, o órgão solicitou providências à Prefeitura há quase um mês.

Para o Conselho, a redução da frequência pode comprometer o aprendizado de crianças e adolescentes.

“Quem perde com tudo isso são as crianças e adolescentes”, afirmou Jaisson.

MPAM cobra regularização

O caso também está sendo acompanhado pelo Ministério Público do Amazonas. Segundo o promotor de Justiça Caio Barros, mais de 30 denúncias relacionadas a atrasos de pagamentos e outros problemas no município foram reunidas em um procedimento desde 2025.

O MPAM informou ainda que existem três ações civis públicas relacionadas ao tema.

“Pedimos a comprovação imediata da regularização do pagamento desses barqueiros, com a comprovação, igualmente imediata, da retomada das aulas presenciais dessas crianças”, afirmou o promotor.

A situação está sob análise da Justiça.

Problema atinge direito à educação

A paralisação do transporte escolar fluvial coloca em evidência um problema que vai além do pagamento aos prestadores do serviço. Para estudantes que vivem em comunidades onde o deslocamento depende dos rios, sem barco não há caminho simples para chegar à escola.

Enquanto a situação não é resolvida, crianças e adolescentes continuam com a frequência escolar comprometida.

A cobrança agora está sobre a regularização dos pagamentos e a retomada do transporte. Sem os barcos, o calendário escolar continua avançando, mas parte dos alunos do Careiro permanece fora da sala de aula.

O caso foi relatado inicialmente pelo g1 Amazonas, que ouviu moradores do município.

 

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