(Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados)
Manaus (AM) – O deputado federal Fausto Júnior (UB) afirmou que não há como dissociar a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, a relação hierárquica entre os dois deixa claro que as posições adotadas pela ministra refletem, em última instância, a condução do governo federal.
“É impossível dissociar a ministra Marina Silva do presidente Lula. Às vezes, principalmente a esquerda aqui no nosso estado, tenta separar os dois, mas isso não existe. A ministra é subordinada ao presidente, foi indicada por ele e pode ser demitida por ele”, declarou o parlamentar.
Fausto Júnior também criticou a postura de Marina Silva em relação à BR-319, rodovia que liga Manaus a Porto Velho. Para o deputado, a ministra tem adotado um discurso que, na prática, dificulta o avanço da obra. Ele aponta que, em entrevistas, Marina costuma condicionar o asfaltamento a estudos e critérios ambientais, o que, na visão dele, representa uma resistência ao projeto.
“A todo momento ela coloca dificuldades. Sempre diz ‘é, mas tem que ter responsabilidade’, ‘tem que fazer estudos’. Isso se repete há anos. Pra mim, é muito claro que ela é contra a BR-319”, afirmou.
Marina Silva condiciona o avanço da rodovia ao cumprimento de exigências rigorosas, como estudos de impacto e avaliação ambiental estratégica. Segundo ela, a região apresenta altos índices de desmatamento e problemas de governança, o que exige cautela para evitar danos irreversíveis.
Histórico e embates
A trajetória de Marina à frente da pasta ambiental reforça esse posicionamento. Ela assumiu o ministério em 2003, no primeiro mandato de Lula, permanecendo até 2008, quando deixou o cargo após divergências sobre políticas ambientais e grandes obras de infraestrutura. Em 2023, com o início do terceiro mandato de Lula, voltou ao comando da pasta, agora rebatizada como Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
Durante depoimento na CPI das ONGs, em novembro de 2023, a ministra gerou repercussão ao afirmar que “não se faz uma estrada de 400 e poucos quilômetros no meio de uma floresta virgem apenas para passear de carro”. A declaração provocou críticas de políticos e parte da população do Amazonas, intensificando o embate em torno da obra.
O impasse sobre a BR-319 evidencia a divergência entre setores políticos que defendem a pavimentação como essencial para a integração regional e o governo federal, que, por meio do Ministério do Meio Ambiente, sustenta a necessidade de garantir viabilidade ambiental antes de qualquer avanço.
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