Flávio Antony deixa crises no passado e assume papel de cabo eleitoral de Cidade e Wilson - (Foto: Divulgação/Instagram e Secom)
Manaus (AM) – Conhecido por protagonizar episódios polêmicos na política amazonense, Flávio Antony deixou o centro de algumas das principais crises políticas e judiciais dos últimos anos para assumir um novo papel no grupo de Wilson Lima e Roberto Cidade: o de articulador e cabo eleitoral.
O chefe da Casa Civil da gestão de Wilson Lima e agora de Roberto Cidade, Antony passou a atuar na linha de frente da campanha que reúne Cidade, candidato à reeleição, e Wilson, que disputa uma vaga ao Senado. Eles divulga vídeos nas redes sociais fazendo campanha para os líderes do grupo político.
A nova função contrasta com o histórico de Antony, que nos últimos anos esteve associado a episódios que renderam investigações, disputas judiciais e forte repercussão política.
Respiradores na pandemia
Durante a pandemia de Covid-19, Antony ocupava a chefia da Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (ADS) e posteriormente passou a comandar a Casa Civil. O nome dele apareceu nas investigações da compra de respiradores pelo governo estadual.
Documentos apresentados pela Procuradoria-Geral da República apontaram que Antony participou de tratativas relacionadas à busca por equipamentos. Em um dos documentos, a PGR citou um e-mail no qual ele afirmou estar atuando “a pedido do amigo Gutemberg Alencar” e que os dois trabalhavam em parceria.
A denúncia da PGR levou à abertura de ação penal contra Wilson Lima e outros envolvidos. Em setembro de 2021, o STJ recebeu a denúncia contra o governador por supostos crimes relacionados à compra superfaturada de respiradores durante a pandemia. A Corte, entretanto, rejeitou a denúncia contra Flávio Cordeiro Antony Filho por entender que não havia provas suficientes para admiti-la contra ele.
O episódio, ainda assim, colocou Antony no radar das investigações sobre uma das maiores crises enfrentadas pelo governo Wilson durante a pandemia.
“QG do Crime” em Parintins
Anos depois, o nome de Flávio Antony voltou a aparecer em outra crise política. Durante as eleições municipais de 2024, ele esteve relacionado ao episódio que ficou conhecido como “QG do Crime”, em Parintins, após a divulgação de imagens de uma reunião envolvendo integrantes do grupo político ligado ao governo estadual.
O caso provocou investigações e abriu uma nova frente de desgaste para o governo Wilson Lima. Antony, no entanto, permaneceu no cargo enquanto outros integrantes do governo foram afastados.
O episódio também teve desdobramento na Justiça Eleitoral. Em agosto de 2026, o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas manteve multa de R$ 5 mil contra Antony por propaganda eleitoral antecipada relacionada a uma manifestação de apoio a candidatos durante evento em Parintins.
Tentativa de chegar ao TJAM
Recentemente, a trajetória de Antony também foi marcada pela tentativa de chegar ao Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) pelo Quinto Constitucional, vaga destinada à advocacia.
Em outubro de 2025, ele se licenciou do cargo de secretário-chefe da Casa Civil para disputar uma vaga de desembargador pelo quinto destinado à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A candidatura, porém, foi barrada pela comissão responsável pelo processo após questionamentos sobre o cumprimento dos requisitos previstos no edital.
Entre as exigências estava a comprovação de pelo menos dez anos de exercício efetivo e ininterrupto da advocacia. A comissão entendeu que Antony não atendia ao requisito, considerando o período em que atuou no governo com dedicação exclusiva.
Diante do indeferimento, o advogado recorreu à Justiça Federal e chegou a obter uma decisão liminar que permitia o registro de sua candidatura. A decisão, no entanto, foi posteriormente derrubada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), que manteve o impedimento.
Sem conseguir reverter a decisão, Antony desistiu da disputa e retirou das redes sociais as publicações relacionadas à campanha. Em seguida, reassumiu o comando da Casa Civil do Governo do Amazonas, cargo que ocupa atualmente.
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