Manaus, 22 de agosto de 2026
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Manaus, 22 de agosto de 2026

Cenário

Roberto Cidade quer assumir marca de Omar Aziz em meio ao pior Ideb do AM

Candidato à reeleição promete retomar Cidade Universitária enquanto Amazonas registra 3,8 pontos no Ideb do Ensino Médio, a pior média do país.

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Roberto Cidade promete retomar a Cidade Universitária, obra anunciada por Omar Aziz e abandonada desde 2017 - (Fotos: Marcos Holanda e Divulgação/Assessoria)

Manaus (AM) – A Cidade Universitária da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), anunciada há mais de uma década e abandonada desde 2017, voltou ao discurso eleitoral. Agora, o governador e candidato à reeleição, Roberto Cidade (União Brasil), tenta transformar a marca de Omar Aziz em promessa própria de campanha.

No entanto, a promessa surge em um cenário de desempenho preocupante na educação. O Amazonas registrou, em 2025, a pior média do país no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do Ensino Médio. O Estado alcançou 3,8 pontos, empatado com Roraima na última colocação do ranking nacional, enquanto a média brasileira ficou em 4,5.

Durante um discurso, Cidade afirmou que pretende assumir a responsabilidade pela obra caso seja eleito e prometeu concluir o projeto nos próximos quatro anos.

“Sobre a Cidade Universitária eu vou assumir essa responsabilidade nos próximos quatro anos. Vamos ver o que precisa ser feito, ver como está a estrutura e nós vamos entregar essa Cidade Universitária para o nosso povo”, declarou.

A fala, no entanto, coloca novamente em evidência uma obra que atravessou diferentes governos sem ser concluída e que permaneceu sem solução justamente durante o período em que Roberto Cidade ocupou posições de destaque na política estadual.

Promessa volta ao discurso eleitoral

Anunciada em 2012, durante o governo de Omar Aziz, a Cidade Universitária, localizada em Iranduba, foi apresentada como um projeto para transformar o acesso ao ensino superior no Amazonas.

A proposta previa um grande complexo ligado à UEA, com espaços acadêmicos, residenciais, comerciais e turísticos. O projeto despertou expectativas, mas não avançou como previsto. Omar também já declarou que pretende retomar as obras.

Desde 2017, as obras estão abandonadas. O espaço se transformou em símbolo de uma promessa que consumiu recursos públicos e permanece sem conclusão. Agora, o projeto retorna ao centro do debate eleitoral, mais uma vez como promessa de futuro.

Roberto Cidade foi deputado e presidente da Aleam

A promessa chama atenção porque Roberto Cidade não chega ao debate como um nome distante da estrutura política do Estado. Ele exerceu dois mandatos como deputado estadual e presidiu a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) por três biênios consecutivos.

Embora o comando do Poder Legislativo não dê o poder de executar obras físicas diretamente, Cidade tinha ferramentas institucionais e forte influência política para agir. Durante esse período, contudo, a Cidade Universitária continuou abandonada, sem que fossem articulados projetos de indicação, comissões de fiscalização ou emendas parlamentares expressivas de seu grupo para reverter o cenário.

O projeto também atravessou a gestão do governador Wilson Lima, de quem Roberto Cidade foi o principal aliado na Aleam antes de assumir o comando do Executivo. No entanto, mesmo com esse alinhamento entre o governo e a Assembleia Legislativa, a força política do grupo não se traduziu em ações práticas para tirar a obra do completo abandono.

Obra acumula milhões em recursos

Ao defender a retomada, Roberto Cidade afirmou que mais de R$ 200 milhões foram investidos no projeto e que, atualmente, esse valor representaria três ou quatro vezes mais.

“O que a gente não pode é voltar atrás. Tem mais de duzentos milhões de reais naquela época, que hoje isso é três, quatro vezes mais, que está enterrado lá. É dinheiro do povo amazonense que a gente tem que resolver”, afirmou.

A declaração reforça a dimensão do problema: além da estrutura abandonada, o projeto representa um investimento público que ainda não resultou na entrega prometida à população.

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