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Manaus, 23 de julho de 2026
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Manaus, 23 de julho de 2026

Brasil

Garimpo ilegal sob controle do CV expõe avanço das facções sobre terras indígenas

Segundo a Polícia Federal, organização criminosa utiliza ouro extraído ilegalmente para abastecer o tráfico de armas e drogas na fronteira com países vizinhos.

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(Foto: Polícia Federal/divulgação)

Manaus (AM) – A confirmação de que o Comando Vermelho (CV) assumiu o controle de um dos maiores garimpos ilegais do país evidencia como a mineração clandestina deixou de ser apenas um crime ambiental para se tornar uma importante fonte de financiamento do crime organizado na Amazônia Legal.

Investigações da Polícia Federal apontam que o Garimpo Cururu, localizado na Terra Indígena Sararé, no oeste de Mato Grosso, está sob domínio da facção criminosa. O grupo, que inicialmente oferecia segurança armada aos garimpeiros, passou a controlar áreas de exploração ilegal de ouro e utiliza o minério como moeda de troca para adquirir armas e drogas em países vizinhos, fortalecendo sua atuação dentro e fora do Brasil.

O caso revela um cenário que especialistas vêm alertando há anos: a ausência efetiva do Estado em regiões remotas abriu espaço para que organizações criminosas transformassem o garimpo ilegal em uma atividade altamente lucrativa, associando crimes ambientais, tráfico internacional e violência contra povos indígenas.

Desde março, uma força-tarefa coordenada pela Casa Civil intensificou o combate à mineração clandestina na Terra Indígena Sararé, território do povo Nambikwara. A área concentra 1.117 frentes de garimpo distribuídas em cerca de 67 mil hectares. Até poucos meses atrás, mais de duas mil pessoas atuavam ilegalmente na região.

A operação já resultou na prisão de 72 pessoas, apreensão de 153 quilos de ouro e mais de 42 mil litros de óleo diesel, além da destruição de 33 túneis, quase quatro toneladas de explosivos, cerca de 200 acampamentos e centenas de equipamentos utilizados na atividade ilegal.

Apesar dos números expressivos, a operação também evidencia o tamanho da estrutura criminosa instalada dentro de um território protegido por lei. O fato de uma facção conseguir controlar a exploração de recursos naturais em terras indígenas levanta questionamentos sobre a capacidade do poder público de impedir a expansão dessas organizações antes que consolidem seu domínio.

Os impactos vão além da segurança pública. A devastação causada pelo garimpo alterou o lençol freático e contaminou o Rio Sararé com mercúrio e cianeto, substâncias altamente tóxicas cujos efeitos ambientais podem permanecer por séculos. A degradação compromete a pesca, a qualidade da água e ameaça diretamente a sobrevivência física e cultural do povo Nambikwara.

Enquanto o governo de Mato Grosso anunciou a construção de uma base policial para reforçar a presença das forças de segurança na região, lideranças indígenas defendem que ações permanentes de fiscalização e proteção territorial são indispensáveis para impedir que novas invasões ocorram.

O avanço do Comando Vermelho sobre o garimpo ilegal reforça que a disputa por recursos naturais na Amazônia Legal deixou de ser apenas uma questão ambiental. Trata-se de um problema de segurança nacional, em que facções criminosas exploram a ausência do Estado para financiar suas atividades, ampliar sua influência e colocar em risco comunidades tradicionais, o patrimônio ambiental brasileiro e a soberania sobre territórios estratégicos.

As informações e os detalhes da operação na Terra Indígena Sararé foram apresentadas em reportagem exibida pelo programa Fantástico, da TV Globo, no último domingo (29), com base em investigações da Polícia Federal e em dados das forças de segurança que atuam na região.

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