(Foto: Divulgação/Assessoria/CMM)
Manaus (AM) – O pedido de exoneração de Gedeão Amorim da estrutura da Prefeitura de Manaus adicionou mais um ingrediente ao já evidente esfriamento da relação política entre o prefeito David Almeida (Avante) e o vice-governador Tadeu de Souza (PP).
Na política, pedidos de exoneração também falam. E, às vezes, falam alto. Gedeão é sogro de Tadeu e figura com trânsito em diferentes grupos políticos do Amazonas. Sua permanência na gestão municipal, até então, simbolizava uma ponte ainda de pé entre dois projetos que hoje dão sinais claros de afastamento.
Sua saída, agora, é vista como o desmonte silencioso dessa conexão.
A troca de partido que mudou tudo
O pano de fundo da movimentação remonta à decisão de Tadeu de deixar o Avante, legenda liderada no estado por David Almeida, e se filiar ao Progressistas, partido que integra o arco político do governador Wilson Lima (UB).
A mudança não foi apenas partidária. Foi um reposicionamento de poder. Ao migrar, Tadeu saiu da órbita direta do prefeito e passou a compor outro grupo político, com interesses próprios e estratégia independente.
Embora tenha partido de Gedeão o pedido formal de exoneração, o timing é considerado revelador. A decisão ocorre justamente quando os grupos políticos começam a se reorganizar e quando o vice-governador consolida sua nova posição fora da estrutura partidária que o conectava diretamente ao prefeito.
Na prática, a saída evita o constrangimento de uma eventual exoneração e antecipa um movimento que muitos consideravam inevitável diante do novo cenário político.
Movimento que redesenha alianças
Com trajetória que inclui passagem pelo MDB e proximidade com o senador Eduardo Braga (MDB), Gedeão Amorim é considerado um nome experiente e conhecedor das engrenagens do poder local.
Sua saída da Prefeitura não representa apenas uma baixa administrativa, mas um fato político que reforça o reposicionamento das peças no tabuleiro.
O silêncio como estratégia
Nem David Almeida nem Tadeu de Souza comentaram publicamente o desligamento. Mas, nos bastidores, a avaliação é de que o afastamento entre os dois já deixou de ser especulação para se tornar realidade política.
Hoje, prefeito e vice-governador pertencem a grupos distintos, com alianças diferentes e, possivelmente, destinos eleitorais opostos. E, em Manaus, onde gestos raramente são ingênuos, até um pedido de exoneração pode dizer exatamente o que ninguém quis declarar em voz alta.
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