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15 de maio de 2021
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General Silva e Luna toma posse como presidente da Petrobras

Na posse como presidente da Petrobras, o general Silva e Luna disse que um dos seus desafios será conciliar interesses de consumidores e acionistas

General Silva e Luna toma posse como presidente da Petrobras
O nome de Silva e Luna como presidente da Petrobras foi anunciado em fevereiro pelo presidente Jair Bolsonaro. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

RIO DE JANEIRO, RJ – Em sua posse como presidente da Petrobras, o general Joaquim Silva e Luna disse nesta segunda (19) que um dos principais desafios de sua gestão será conciliar os interesses de consumidores e acionistas. Ele não adiantou, porém, como atingir esse resultado.

A cerimônia reforçou o avanço de militares sobre o setor de energia. Na posse, estiveram presentes os almirantes Bento Albuquerque, ministro de Minas e Energia; Rodolfo Sabóia, diretor geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) e Eduardo Bacellar Leal Ferreira, presidente do conselho da Petrobras.

Luna foi nomeado pelo conselho de administração da Petrobras na sexta (16), quase dois meses após sua indicação pelo presidente Jair Bolsonaro. Ele já vinha trabalhando na empresa, mas nesta segunda, assinou o termo de posse e recebeu o crachá da companhia.

Leia mais: Sindicatos obtêm liminar para suspender dividendos da Petrobras

Também tomaram posse nesta segunda os novos diretores da empresa. Pela primeira vez desde 2007, a diretoria da empresa não terá mulheres.

“Confesso que me sinto honrado pela confiança e impactado pela responsabilidade. Entendo que essa sensação me mantém num ponto de equilíbrio entre a ousadia e a prudência. Desde já, hipoteco minha lealdade, meu senso de responsabilidade e todas as minhas energias no cumprimento dessa honrada missão”, disse Luna.

Em seu discurso, o novo presidente da Petrobras tentou tranquilizar investidores. Ao mesmo tempo, ele também tocou em um ponto sensível ao presidente da República, que é um crítico da imprevisibilidade sobre os reajustes de preços dos combustíveis.

“Não há dúvidas de que os principais desafios são: fazer a Petrobras cada vez mais forte, trabalhando com visão de futuro, com segurança, respeito ao meio ambiente, aos acionistas e à sociedade em geral, de forma a garantir o maior retorno possível ao capital empregado”, afirmou.

“E fazer tudo isso conciliando interesses de consumidores e acionistas, valorizando os nossos petroleiros, buscando reduzir volatilidade [dos preços] sem desrespeitar a paridade internacional”, completou.

Castello Branco por Silva e Luna

A indicação de Silva e Luna para substituir o ex-presidente, Roberto Castello Branco, se deu em meio à escalada de preços no início do ano. A substituição gerou temor em investidores sobre intervenções na política de preços. Como resultado, a empresa perdeu R$ 102,5 bilhões em valor de mercado em apenas dois dias.

Na cerimônia desta segunda, o ministro de Minas e Energia também sinalizou aos investidores. Ele defendeu a manutenção do plano de venda de ativos da empresa. Segundo o ministro, isso é essencial para a redução da dívida e aumento da capacidade de investimento da companhia.

Quatro conselheiros da Petrobras decidem deixar o cargo

Foto: Reprodução

“[Os desinvestimentos] são fundamentais para atrair ainda mais agentes nacionais e internacionais para o setor”, afirmou. Ele defendeu também a nomeação do general Silva e Luna, que nunca trabalhou no setor de petróleo. Albuquerque chamou o novo presidente de “gestor altamente experimentado, com ampla e diversificada atuação profissional”.

Nova diretoria da Petrobras

Como novo presidente da Petrobras, o general Silva e Luna indicou quatro novos diretores, em substituição aos executivos que decidiram deixar a empresa com Castello Branco. O conselho de administração aprovou os nomes na última sexta-feira. Outros quatro diretores da gestão anterior aceitaram o convite para permanecer nos cargos.

O general nomeou apenas funcionários de carreira da Petrobras para vagas abertas na direção. Silva e Luna escolheu os nomes durante o processo de transição. Um nono executivo chegará depois, para assumir a diretoria de Governança e Conformidade.

O presidente do conselho de administração da companhia disse que a lista de escolhidos de Luna “reforça o compromisso da empresa com a meritocracia”. “Ao ex-presidente Castello Branco e aos quatro diretores que hoje deixam a Petrobras, agradeço a contribuição e faço votos de sucesso e saúde”, afirmou, em uma das raras referências ao ex-presidente da empresa no evento.

A cerimônia de posse foi realizada na sede da companhia, com um público restrito. A imprensa acompanhou o evento pela internet. Todos os presentes na posse usavam máscara. No entanto, os executivos que discursaram retiraram a proteção.

Posse e transição

Desde que teve sua nomeação aprovada pelo conselho, Luna e sua equipe de transição vêm trabalhando de forma presencial. O ex-presidente, Castello Branco, estava em home office desde o início da pandemia.

O general deixou o alto escalão da companhia à vontade para decidir de onde trabalhar. A empresa vai decidir se estenderá o home office, previsto para terminar em maio. A primeira reunião da nova diretoria deve ocorrer na semana que vem.

Bolsonaro usou a adoção do home office e o salário elevado para justificar a demissão de Castello Branco. A demissão do ex-presidente foi anunciada em fevereiro, em meio à escalada dos preços dos combustíveis do início do ano.

(*) Com informações da Folhapress.

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