Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Brasil

Governo avalia trocar avião presidencial após falhas e custo elevado

Falhas técnicas impulsionam debate que esbarra no caixa da Defesa e no calendário eleitoral.

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(Foto: Reprodução / Força Aérea Brasileira )

Manaus (AM) – Após uma sequência de episódios considerados críticos em voos oficiais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a discutir, dentro do governo, a possibilidade de substituir o avião presidencial, conhecido como Aerolula.

A avaliação ganhou força depois de panes técnicas, arremetidas e longos períodos de voo sob risco, o que reacendeu o debate sobre segurança, autonomia e confiabilidade da aeronave.

A possível troca, porém, ocorre em um cenário de restrição orçamentária e envolve valores elevados. Estimativas de mercado apontam que a compra de um novo avião presidencial poderia custar entre R$ 1,4 bilhão e R$ 2 bilhões.

A discussão foi revelada por veículos da imprensa nacional, com base em relatos de integrantes do Palácio do Planalto, do Ministério da Defesa e da Força Aérea Brasileira (FAB).

A insatisfação do presidente está ligada, principalmente, às limitações técnicas do atual Airbus A319CJ, adquirido há cerca de 20 anos.

Segundo relatos, Lula defende a necessidade de uma aeronave com maior autonomia para voos internacionais, capaz de reduzir escalas, diminuir riscos operacionais e oferecer melhores condições de trabalho e descanso em missões longas. Também há demanda por um espaço interno mais adequado para reuniões e compromissos oficiais.

No entanto, encontrar um modelo que atenda a esses requisitos não é simples. Aviões destinados a chefes de Estado são poucos, altamente customizados e têm produção limitada. Mesmo após a escolha, o prazo para fabricação e adaptação pode chegar a dois ou três anos, considerando exigências de segurança e filas internacionais.

Os episódios recentes reforçaram o debate. O mais marcante ocorreu em outubro de 2024, no México, quando uma falha em uma das turbinas obrigou o Aerolula a permanecer quase cinco horas no ar para queimar combustível antes de pousar com segurança.

O próprio presidente classificou a situação como a mais grave já enfrentada em viagens oficiais. Outros casos incluíram uma arremetida em Sorocaba, em março, e uma falha de motor em uma aeronave da FAB no Pará, que levou à troca de avião ainda em solo.

Paralelamente às questões técnicas, o debate esbarra no orçamento da Defesa. Para o próximo ano, a maior parte dos recursos da pasta está comprometida com despesas de pessoal, restando uma parcela limitada para manutenção e investimentos.

Nos bastidores, há preocupação de que a compra de um novo avião presidencial concorra com projetos considerados estratégicos pelas Forças Armadas.

No campo político, aliados avaliam que a decisão pode gerar desgaste em ano eleitoral. Parte do governo defende adiar o tema para 2027, enquanto outra ala considera apenas iniciar os trâmites técnicos, sem concluir a compra. O receio é que o alto custo da aeronave se torne um foco de críticas e seja explorado pela oposição durante a campanha.

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