(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Manaus (AM) – A exoneração de Rossieli Soares do comando da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais jogou luz sobre mais um capítulo turbulento da trajetória do ex-ministro e ex-secretário de Educação que acumulou passagens por Amazonas, Pará e São Paulo. A saída, longe de ter sido amistosa, foi acompanhada de um duro comunicado oficial do governo mineiro, que vinculou diretamente a demissão a investigações em curso.
Em nota, o Governo de Minas afirmou:
O Governo de Minas esclarece que é falsa a informação de que a exoneração do ex-secretário de Educação, Rossieli Soares, tenha sido ‘em comum acordo’, conforme divulgado em nota supostamente enviada pelo ex-secretário à imprensa. A decisão de exoneração, tomada pelo governador Mateus Simões nos últimos dias e oficializada na segunda-feira (27/4), se deu em virtude de informações preliminares de investigação conduzida pela Controladoria-Geral do Estado (CGE) e já encaminhadas às autoridades competentes para a tomada de providências. Um procedimento de investigação será aberto para apurar as responsabilidades pela nota que atribui posicionamentos ao Governo de Minas de forma indevida e sem autorização. Por fim, o Governo de Minas reafirma o seu compromisso inegociável com a ética, a transparência e o interesse público.
A manifestação desmontou a narrativa inicial de saída consensual e elevou a crise política. Mais que isso: colocou Rossieli no centro de um episódio que pode ter desdobramentos administrativos e jurídicos.
Durante sua curta passagem por Minas, Rossieli esteve no epicentro de polêmicas envolvendo a condução da política educacional do estado.
Entre os principais questionamentos estão denúncias relacionadas à compra de aproximadamente R$ 348 milhões em materiais didáticos, além de controvérsias sobre contratos e modelos de gestão que passaram a ser alvo de atenção dos órgãos de controle.
A queda em Minas, no entanto, não surge como fato isolado.
Trajetória
No Amazonas, Rossieli já havia enfrentado críticas por contratos milionários e pela condução de projetos educacionais cercados de questionamentos sobre custo, transparência e efetividade.
No Pará, acumulou desgaste com sindicatos, críticas à condução da rede estadual e embates sobre sua política de gestão.
Em São Paulo também deixou uma passagem marcada por controvérsias e resistência de setores da educação.
Antes disso, como ministro da Educação no governo Michel Temer, esteve à frente da implementação da reforma do Ensino Médio — proposta que até hoje divide especialistas e segue sob críticas pela forma como foi construída.
Quando anunciou sua ida para Minas, Rossieli publicou nas redes sociais uma foto dentro de um avião com a legenda “Partiu… Minas Gerais”, simbolizando o início de uma nova etapa. Poucos meses depois, deixa o cargo sob suspeita e publicamente desmentido pelo governo que o nomeou.
A exoneração reforça uma marca que tem acompanhado sua trajetória: por onde passa, a gestão termina envolvida em forte desgaste, polêmica ou questionamentos.
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