(Foto: Tiago Correa/Secom)
Manaus (AM) – O Governo do Amazonas formalizou o contrato de financiamento de R$ 1,462 bilhão com o Banco do Brasil. O extrato do acordo, assinado pelo governador Roberto Cidade (UB) em 9 de outubro, foi publicado na edição nº 35.802 do Diário Oficial do Estado. A operação foi oficializada cinco dias após o primeiro turno das eleições gerais de 2026, quando Cidade, candidato à reeleição, não avançou para a segunda etapa da disputa pelo governo estadual.
O contrato prevê que os recursos sejam destinados ao financiamento de despesas de capital da administração pública, conforme o Plano Plurianual (PPA) e a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, além dos exercícios seguintes. O prazo estabelecido para a amortização da dívida é de 120 meses, com encargos atrelados à taxa anual média dos Certificados de Depósitos Interfinanceiros (CDI), acrescida de uma sobretaxa efetiva de 1,20% ao ano.
A assinatura ocorre após meses de questionamentos sobre a contratação do financiamento, que foi defendida por Cidade durante a campanha eleitoral. Em entrevista à Rádio Rio Mar, em 31 de agosto, o governador afirmou que o dinheiro seria destinado a investimentos em infraestrutura e associou a operação à realização de obras de asfaltamento no interior do estado.
“Esse empréstimo que está hoje sendo feito junto ao Banco do Brasil é para investimento, é para infraestrutura do nosso Estado”, disse. Na mesma entrevista, declarou: “Quem está lá no interior hoje, precisando de asfalto, se não sair esse empréstimo, não vai ter asfalto esse ano”.
Em entrevista ao veículo Estado Político, em 21 de agosto, Cidade havia apresentado outra justificativa para a operação. Segundo ele, o empréstimo permitiria renegociar dívidas e economizar mais de R$ 1 bilhão nos anos seguintes. Na conversa com a Rádio Rio Mar, também mencionou uma segunda operação de crédito, que, segundo o governador, seria destinada à reposição de dívida e dependeria de tramitação no Senado.
A contratação também foi alvo de críticas políticas. Em vídeo publicado nas redes sociais, Marcelo Ramos afirmou que, na avaliação dele, o objetivo da operação não seria “melhorar as contas do Estado”, mas “liberar dinheiro para o governador tampão tentar fazer campanha e tentar a reeleição”. Sem citar nomes, Cidade declarou que as movimentações contrárias ao empréstimo buscavam “prejudicar” o governo e o Amazonas.
Antes da assinatura, o Ministério Público Federal (MPF), a União e o Banco do Brasil haviam pedido à Justiça Federal a revogação da decisão que suspendeu a contratação do financiamento.
O documento publicado no Diário Oficial aponta como fundamento legal as leis estaduais nº 7.303, de 7 de janeiro de 2025, e nº 8.240, de 5 de maio de 2026.

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