Manaus, 6 de julho de 2026
×
Manaus, 6 de julho de 2026

Cenário

Governo interino: Roberto Cidade pode enfrentar disputa e ação na Justiça

Após assumir o Governo do Amazonas de forma interina, Roberto Cidade enfrenta incerteza política e jurídica, pois ainda não consolidou maioria em meio às articulações de 2026 na Aleam.

governo-interino-roberto-cidad

(Foto: Ney Xavier/Assessoria de Comunicação)

Manaus (AM) – A possibilidade de Roberto Cidade assumir de forma definitiva o comando do Governo do Amazonas, por meio de uma eventual eleição indireta na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), ainda está longe de ser considerada uma definição política. A avaliação é do professor e cientista político Helso Ribeiro.

Segundo o analista, embora exista um ambiente favorável ao nome de Cidade dentro do grupo político ligado ao governador Wilson Lima, o desfecho dependerá diretamente da capacidade de articulação entre os 24 deputados estaduais, responsáveis por uma eventual escolha no parlamento.

“Isso são especulações, porque quem vai votar são os 24 deputados estaduais. Para ser eleito, precisa de 13 votos”, afirmou Helso.

Cenário ainda é de construção política

Na avaliação do cientista político, a movimentação para uma possível eleição indireta já estaria em estudo nos bastidores, inclusive com análise jurídica sobre o tema. Ele acredita que, caso haja interesse político consolidado, a tramitação pode ocorrer de forma rápida.

“Com boa vontade, se aprova uma lei em 10 dias. E, pelo que eu vi, há interesse do Roberto Cidade, do grupo dele, de fazer isso o mais rápido possível”, disse.

Ainda assim, Helso pondera que o atual momento exige cautela. Para ele, quanto mais tempo houver entre a articulação e uma eventual votação, maiores serão as chances de surgirem novos nomes e rearranjos políticos dentro da Assembleia.

“Quanto mais tempo demorar, mais articulação uma possível oposição vai fazer”, analisou.

Ele lembra que a composição da Aleam reúne parlamentares de diferentes correntes partidárias, o que pode dificultar uma convergência automática em torno do nome do atual governador interino.

“Lá nós temos pessoas do PT, do PSD, do Avante, enfim, são vários partidos. Eu não sei se, se demorar muito, vai haver essa confluência em direção ao nome do Roberto Cidade”, pontuou.

Ausências em posse chamaram atenção

Outro ponto destacado por Helso Ribeiro foi o simbolismo político observado na cerimônia de posse de Roberto Cidade como governador interino. Segundo ele, a ausência de figuras relevantes da política local e do interior pode ser interpretada como um sinal de que o cenário ainda está em aberto.

“Eu achei estranho na posse não ter nenhum prefeito do interior e tampouco o prefeito da capital. Era normal serem convidados. Então isso talvez já direcione para novos candidatos que podem ter na eleição indireta”, afirmou.

A leitura sugere que, apesar da ascensão institucional de Cidade ao cargo, ainda não há demonstração pública de uma unidade política consolidada em torno de sua permanência no Executivo estadual.

Possível candidatura à reeleição pode ser judicializada

Um dos pontos mais delicados do debate envolve a possibilidade de Roberto Cidade, caso seja efetivado no cargo por meio de eleição indireta, disputar a reeleição nas eleições deste ano.

Para Helso Ribeiro, o tema está longe de ser pacificado no meio jurídico e deve gerar disputa judicial caso avance.

“O direito não é uma ciência exata. Ele é interpretativo, ele é hermenêutico”, disse.

Na avaliação do cientista político, há entendimento jurídico para sustentar que Cidade poderia sim disputar uma nova eleição, por se tratar da continuidade de um mandato já em curso. No entanto, ele reconhece que existe uma corrente contrária, ainda que minoritária.

“Eu entendo que sim, mas tem um grupo que entende que isso vai ser judicializado de qualquer forma. Tem uma parcela que entende que, se ele assumiu e depois for eleito, já seria o segundo mandato. Eu penso que não, que é a continuidade de um mandato, e em outubro seria o terceiro mandato. Então tem essa corrente, que é minoritária, mas a Justiça deve decidir isso”, explicou.

Transição abre novo capítulo político no Amazonas

A saída do governador e do vice-governador nos últimos dias abriu um novo capítulo no cenário político amazonense, com reflexos diretos tanto na sucessão estadual quanto na reorganização de forças para as eleições deste ano.

Para Helso Ribeiro, o momento exige atenção redobrada dos atores políticos, especialmente diante de um quadro ainda em construção, com disputas jurídicas e articulações de bastidores em andamento.

O cientista político desejou êxito à condução administrativa do novo governador interino, destacando que a estabilidade institucional é importante para a população.

“Não dá para torcer contra. Assim como o atual prefeito, também desejo isso. Quanto melhor for para eles, melhor será para os cidadãos”, concluiu.

LEIA MAIS: