(Foto: Matheus Rodrigues e Danilo Mello/Aleam)
Manaus (AM) – Derrotado nas últimas eleições, o ex-deputado federal Marcelo Ramos (PT) usou a renúncia do então governador Wilson Lima (UB) e do vice-governador Tadeu de Souza para tentar polarizar as eleições de 2026.
Ao afirmar que será candidato ao Senado para “enfrentar e derrotar Wilson Lima”, o ex-deputado federal Marcelo Ramos tenta reposicionar seu nome no tabuleiro eleitoral de 2026. A retórica, porém, esbarra em um histórico recente de derrotas nas urnas e em sinais de crescente isolamento dentro do próprio campo político em que busca sustentação.
As declarações foram publicadas no Instagram após a renúncia de Wilson Lima e Tadeu de Souza, movimento que abriu caminho para a posse de Roberto Cidade no comando do Estado e reposicionou a corrida eleitoral no Amazonas.
Ramos classificou a renúncia como “vergonha”, falou em “conchavo eleitoral” e afirmou que a resposta virá nas urnas.
“Wilson Lima e Tadeu de Souza só confirmam os aventureiros e irresponsáveis da política que são e traem a confiança do povo que os elegeram para concluírem o mandato e não para, em conchavo eleitoral, entregarem o Governo do Amazonas a quem não foi escolhido para tal”, disparou Marcelo Ramos.
Trajetória
Marcelo Ramos tem trajetória consolidada na política amazonense. Foi vereador de Manaus, deputado estadual, deputado federal e chegou à vice-presidência da Câmara dos Deputados, alcançando projeção nacional. Ainda assim, seu desempenho eleitoral mais recente não tem acompanhado esse histórico.
Nos últimos pleitos que disputou, Marcelo saiu derrotado, o que fragiliza o peso político da promessa de derrotar um adversário como Wilson Lima, que chega ao embate respaldado por duas vitórias consecutivas ao Governo do Amazonas.
Outro elemento que pesa contra o discurso de força é a sua situação dentro do próprio PT no Amazonas.
Nos bastidores, Marcelo tem sido frequentemente deixado à margem das decisões estratégicas relacionadas à eleição de 2026.
A mais recente demonstração desse esvaziamento político foi a reunião realizada na última semana entre integrantes do PT e PCdoB para tratar das articulações da federação no Estado. Marcelo não participou do encontro, fato interpretado por interlocutores como mais um sinal de que o diretório estadual vem conduzindo as definições sem centralizar o ex-deputado nas conversas principais.
O distanciamento contrasta com momentos anteriores, quando Marcelo chegou a ser o principal nome da federação em Manaus.
O cenário se agrava quando se observa o desempenho eleitoral do grupo mais próximo do ex-deputado. Nas eleições municipais, Marcelo não conseguiu sequer impulsionar a eleição do próprio irmão, Rodrigo Ramos, para uma cadeira na Câmara Municipal de Manaus.
O resultado reforçou a leitura de que, embora mantenha visibilidade pública e capacidade de discurso, sua influência eleitoral efetiva tem encontrado limites concretos nas urnas.
Diante desse histórico, a declaração de que vai “enfrentar e derrotar Wilson Lima” soou mais como um movimento de afirmação política do que como uma candidatura já consolidada em bases eleitorais sólidas.
LEIA MAIS:





