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22 de abril de 2021
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Interior do AM sofre sem leitos de UTI; o que governadores fizeram em 20 anos?

Com a crise causada pela pandemia, o estado tem, hoje, um total de 536 leitos, mas todos ficam concentrados em Manaus

Interior do AM sofre sem leitos de UTI; o que governadores fizeram em 20 anos?
Fotos/Montagem: divulgação e Agência Senado

A falta de Unidades de Terapias Intensivas (UTIs) no interior do Amazonas tem levantado um grande debate em torno das gestões de governos anteriores, principalmente durante a pandemia provocada pelo novo coronavírus que já dura quase um ano, mostrando uma fragilidade muito grande aos mais de quatro milhões de habitantes que o estado possui.

Os governadores do Amazonas, dos últimos 20 anos, foram: Amazonino Mendes (1995 a 2003); Eduardo Baga (2003-2010); Omar Aziz (2010-2014); José Melo (2014-2017) e novamente uma gestão de Amazonino (2017-2018), eleito após a cassação de Melo.

No ano passado, o estado sofreu um colapso na saúde pública estadual, que atende média e alta complexidade, entre abril e maio. Neste ano, com a 2ª onda da covid-19, o Amazonas voltou a sofrer por falta de UTIs e, também, de oxigênio medicinal, tanto na capital quanto no interior, o que ocasionou a falta de mais de 750 leitos para pacientes infectados com o vírus.

Com isso, muitas vidas foram ceifadas logo nos primeiros dias de 2021, quando se achava que tudo voltaria ao “normal”, embora especialistas já tivessem afirmado que a crise seria ainda maior e uma nova variante mais ameaçadora estaria por vir, e que de fato veio.

Só nos dois primeiros meses de 2021, morreram 5.653 pessoas – número maior que nove meses de pandemia, em 2020, no caso 5.285.

O ex-governador e atual senador Eduardo Braga (MDB) disse que há mais de dez anos não é mais governador do Amazonas e que nada evolui desde então, afirmando que sua gestão deixou mais de 42 hospitais construídos na capital e interior, embora não tenha destacado a quantidade de UTIs instaladas à época.

Leia mais: Órgãos de controle querem assegurar tratamento a pacientes com covid-19 no AM

“Lá atrás, o maior problema de saúde pública do Amazonas era a falta de hospitais. Isso mesmo, muitos dos nossos municípios não tinham sequer hospitais. Construímos nada menos que 42 em todo o Amazonas. Mas não deixamos para trás as obras dos governos que nos antecederam. Reformamos e ampliamos 100% dos Caics e Caimis, o João Lúcio e a Maternidade Balbina Mestrinho, por exemplo”, iniciou Braga.

“Se cada gestor público fizer um pouco, com trabalho e boa gestão, é possível manter nosso Amazonas preparado até para grandes crises sanitárias. Não sou governador há mais de dez anos, e em quê essa infraestrutura evoluiu? Não fizemos tudo, mas fizemos muito na saúde pública do nosso estado”, justificou o senador e ex-governador.

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), até o fim do mandato de Braga, o estado possuía 202 leitos, o que foi mantido até 2013, na gestão de Omar Aziz, que foi procurado pela reportagem do Portal Amazonas 1, por meio de sua assessoria e mensagens  via WhatsApp, porém, o parlamentar preferiu não enviar resposta sobre o tema.

Leitos 

O número de leitos só aumentou a partir de 2014, quando passou de 202 para 257, já na gestão do ex-governador José Melo, cassado em 2017. O Portal AM1 tentou contato com o ex-governador, mas não obteve êxito.

Em 2017, o número de UTIs saiu de 25 para 321, chegando a 364 em 2019. Com a crise causada pela pandemia, o estado tem, hoje, um total de 536 leitos, que atende 67% dos casos de covid-19. Ainda segundo a SES-AM, há uma projeção de implantação de uma UTI de 30 leitos no Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto.

O ex-governador Amazonino Mendes (Podemos) também foi procurado para falar do não investimento em leitos de UTI no interior do Amazonas, mas  não foi localizado.

Distribuição de leitos

Nesse total de mais de 500 leitos de UTI, não está incluso o número de leitos da rede privada e nem dos hospitais militares. No Hospital Delphina Aziz, de 50 leitos de UTI, antes da pandemia, esse número subiu para 180.
Já o Hospital Platão Araújo, no início do mês de fevereiro, ganhou uma ala de UTI nova com 22 leitos, erguida no antigo almoxarifado da unidade.
No Hospital Nilton Lins, que substitui a unidade de campanha no estado, tem 22 leitos de UTI em funcionamento e nas unidades Ana Braga e Dona Lindu foram ampliados os  leitos de UTI na pandemia. Foram 6 novos leitos no Instituto Dona Lindu e cinco novos leitos na Ana Braga, além da ampliação de leitos na Fundação de Medicina Tropical.

Interior sem UTIS

Contudo, todos esses leitos de UTI seguem centralizados em Manaus. No interior, há 146 leitos de Unidades de Cuidados Intermediários (UCIs) e 1.240 clínicos para atendimento de pacientes com Covid-19. A taxa de ocupação dos leitos clínicos é de 33% e a de UCI é de 27%.

Com a falta de leitos de UTI no interior, a demanda na capital aumenta ainda mais e o número de mortes entre a população do Amazonas se torna ainda maior, pois são necessárias transferências de pessoas para Manaus, devido à gravidade dos casos de infecção pela covid-19 no estado.

Até o último dia 28 de fevereiro (domingo), havia 322 pessoas internadas nas UTIs da rede hospitalar estadual.
Desde o início da pandemia, em março de 2020, o interior do Amazonas já registrou 3.181 mortes, principalmente na segunda onda da doença, no início de janeiro.

Logística

Durante a crise na saúde, em janeiro, com a falta de oxigênio, o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello chegou a comentar que o grande problema de trazer equipamentos para o Amazonas é a questão logística. A fala do ministro foi feita durante apresentação do Plano Estratégico de Enfrentamento à Covid-19.

O governador do Amazonas, Wilson Lima, também já comentou que as condições para instalar leitos de UTI no interior, em meio à pandemia, são muito adversas, devido à distância entre a capital e as cidades e, também, para a manutenção delas em cada município.

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