Manaus, 16 de setembro de 2026
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Manaus, 16 de setembro de 2026

Cenário

Ismael Munduruku acusa governo Wilson Lima de abandonar saúde indígena no AM

Candidato ao Senado afirma que indígenas chegam à capital sem estrutura e cobra ambulâncias, lanchas e atendimento especializado no interior

(Foto: Isac Sharlon/Portal AM1)

Ismael Munduruku durante entrevista ao Portal AM1 (Foto: Isac Sharlon/Portal AM1)

Manaus (AM) – A precariedade da saúde indígena no Amazonas foi um dos principais pontos abordados por Ismael Munduruku, candidato ao Senado pela Rede Sustentabilidade, durante entrevista ao Programa Cenário Político, do Portal AM1. Liderança indígena há quase três décadas, ele afirmou que o atendimento oferecido aos povos indígenas é marcado pela falta de estrutura, dificuldade de transporte e ausência de profissionais especializados.

Segundo Ismael, o problema começa ainda no interior, onde comunidades enfrentam dificuldades para transportar pacientes em situações de emergência. “Nós não temos ambulâncias, não tem lancha para trazer, para levar o doente da aldeia, das comunidades, para a sede do município no interior”, revela.

A situação, segundo ele, se torna ainda mais grave porque muitos pacientes precisam percorrer longas distâncias até chegar a um município com estrutura mínima de atendimento.

Ismael também criticou a estrutura existente em Manaus para receber indígenas que precisam de tratamento. Ele citou a Casa de Saúde Indígena (Casai), localizada na região do quilômetro 25, e afirmou que o local não oferece a estrutura necessária para pacientes que chegam à capital.

“A Casai é uma enfermaria dos povos indígenas que existe lá há décadas, que era para cuidar da saúde dos povos indígenas, mas, na verdade, só recebe eles”, explicou o candidato ao Senado.

Na sequência, classificou a situação como “um caos” e afirmou que pacientes chegam sem acompanhamento médico especializado. O candidato utilizou como exemplo casos de acidentes e picadas de animais peçonhentos para ilustrar a dificuldade de remoção de pacientes.

Segundo Ismael, uma pessoa picada por uma surucucu pode precisar de atendimento em poucas horas, mas moradores de comunidades podem levar muito mais tempo para alcançar uma unidade de saúde. “Quando ele chega na sede do município, ele chega para ser enterrado, para ser sepultado, para providenciar o caixão. E não para providenciar o atendimento médico.”

Para enfrentar o problema, ele defendeu a utilização de lanchas rápidas ou aeronaves para transporte de pacientes em situações de emergência.

Críticas ao governo Wilson Lima

Questionado se a situação da saúde indígena teria melhorado ou piorado durante o governo Wilson Lima, Ismael respondeu que houve piora. “Aumentou muito mais porque não tem apoio nenhum. É zero apoio para a população indígena.”

A crítica foi ampliada para a gestão da saúde no Estado. Ismael afirmou que o Amazonas possui recursos, mas questionou a aplicação desse dinheiro. Ele também fez acusações graves sobre contratos públicos e afirmou que empresários teriam enriquecido enquanto pacientes enfrentavam dificuldades para conseguir atendimento. “A nossa saúde foi saqueada.”

“Oito anos não dá para construir um hospital?”

Ismael também questionou o resultado das políticas públicas de saúde durante os anos de governo Wilson Lima. Segundo ele, oito anos seriam tempo suficiente para ampliar a estrutura hospitalar no interior.

“Em oito anos não dá para fazer um hospital de referência no interior. Um em cada calha de rio?”, questionou.

Para o candidato, a falta de estrutura mantém moradores do interior dependentes de deslocamentos longos para Manaus. A crítica ganha peso adicional quando direcionada às comunidades indígenas, que enfrentam dificuldades específicas de transporte, alimentação, idioma e adaptação à capital, segundo o próprio candidato.

Assista à entrevista na íntegra:

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