Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Cidades

Queimadas e omissão agravam crise na saúde indígena no Amazonas

A ausência de ações preventivas, como controle de queimadas e proteção dos territórios, permite que o problema se repita e se agrave ano após ano.

(Foto: Divulgação/TCE-AM)

Manaus (AM) – Nuvens de fumaças que encobrem o Amazonas é um sinal de devastação ambiental, mas também é uma ameaça à saúde das comunidades indígenas. Povos originários enfrentam uma crise que ultrapassa o meio ambiente e atinge diretamente sua sobrevivência física e cultural.

“Elas não afetam só o pulmão, elas adoecem o corpo todo e, pior, adoecem também a nossa mente”, alerta o professor Elizanías Costa, atual presidente da União dos Povos Indígenas de Coari (UICAM).

(Foto: Arquivo pessoal)

Em entrevista ao Portal AM1, ele expôs os impactos diretos e devastadores das queimadas sobre a saúde das comunidades indígenas, que se agravam diante da omissão do poder público.

De acordo com Elizanías, as queimadas provocam uma série de doenças respiratórias, como asma, bronquite e pneumonia, especialmente entre os grupos mais vulneráveis, como crianças e idosos.

“A fumaça traz também problemas no coração, intoxicações, alergias, além de transtornos como ansiedade e depressão. Isso tudo se soma à destruição da floresta, que é nossa farmácia natural. Quando perdem-se as plantas medicinais, a gente perde também parte da nossa saúde”, alerta.

“A desnutrição se torna uma realidade, porque a floresta que garante nosso sustento está queimando”, lamenta o líder.

A crise não seria tão grave se houvesse atuação efetiva do Estado. “A falta de políticas públicas, de fiscalização ambiental, de assistência médica e de planos de contingência agrava tudo. É como se estivéssemos sendo esquecidos. O problema ambiental virou uma crise humanitária”, afirma Elizanías.

Segundo ele, a precariedade na infraestrutura de saúde nos territórios indígenas impede qualquer resposta rápida. Além disso, a ausência de ações preventivas, como controle de queimadas e proteção dos territórios, permite que o problema se repita e se agrave ano após ano.

Além das doenças respiratórias e cardiovasculares, os efeitos das queimadas se estendem para problemas menos visíveis, mas igualmente sérios. A exposição contínua aos poluentes pode causar intoxicações por metais pesados, além de agravar quadros de estresse, ansiedade e depressão.

“Cada árvore que cai é também uma ferida na nossa cultura, na nossa espiritualidade. A floresta é nossa casa, nosso hospital, nosso mercado. Quando ela queima, a gente adoece de todos os lados”, enfatiza o presidente da UICAM.

Na visão do presidente da UICAM, qualquer solução real precisa, obrigatoriamente, passar pela participação dos povos indígenas.

“Incluir os povos indígenas na formulação das políticas públicas não é questão de justiça social, mas uma estratégia essencial para o sucesso das ações de prevenção e mitigação”, defende.

“Nossos conhecimentos tradicionais, nossa gestão do território e nossa relação com a floresta são fundamentais. Ignorar isso é perpetuar a destruição”, alerta.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais INPE, o estado apresentou oscilações nos números de queimadas nos últimos sete anos, com picos altos como em 2024 (388 focos até maio, aumento de 128% em relação ao ano anterior) e quedas expressivas como a atual, em 2025 (118 focos até maio, redução de 69% comparado a 2024).

Mesmo com essa queda recente, os dados mostram uma tendência preocupante, onde os aumentos se tornam severos em alguns anos, impactando diretamente o meio ambiente e a saúde das populações, especialmente as comunidades indígenas.

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