Joana Darc foi eleita deputada federal pelo Amazonas com 85.461 votos e deixa a Aleam para assumir uma cadeira na Câmara dos Deputados em 2027. (Foto: Reprodução/Redes sociais – @joanadarcam)
Manaus (AM) – A estratégia eleitoral da família Darc-Lima terminou pela metade nas urnas de 2026. Joana Darc foi eleita deputada federal pelo Amazonas com 85.461 votos, mas o marido, Aldenor Lima, não conseguiu transformar o capital político do casal em uma cadeira na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).

Candidato a deputado estadual pela Federação União Progressista, Aldenor recebeu 18.478 votos e terminou como suplente. Com o resultado, ele continuará na Câmara Municipal de Manaus (CMM), onde exerce o primeiro mandato de vereador.

A diferença entre os dois resultados expõe o desafio da estratégia adotada durante a campanha: enquanto Joana conseguiu transferir parte de sua força eleitoral para uma disputa estadual maior e chegar à Câmara dos Deputados, Aldenor não alcançou votos suficientes para conquistar uma das 24 cadeiras da Aleam.
Joana mantém trajetória de vitórias
A eleição de 2026 amplia uma sequência até agora perfeita na carreira eleitoral de Joana Darc. Ela disputou quatro eleições e venceu todas. Em 2016, foi eleita vereadora de Manaus com 3.261 votos. Dois anos depois, deixou a Câmara Municipal e conquistou uma cadeira na Aleam, com 26.816 votos. Em 2022, teve uma explosão eleitoral: recebeu 87.182 votos, terminou como a segunda candidata mais votada do Amazonas e foi reeleita deputada estadual.
Agora, em 2026, mudou novamente de patamar. Recebeu 85.461 votos e conquistou uma das oito cadeiras do Amazonas na Câmara dos Deputados. Foi a única mulher eleita pela bancada amazonense para Brasília. Apesar de ter recebido cerca de 1,7 mil votos a menos que em 2022, Joana conseguiu manter uma votação suficiente para deixar a Aleam e chegar ao Congresso.
Aldenor quase dobra votação, mas fica fora
O resultado de Aldenor tem uma leitura diferente. Em 2024, ele foi eleito vereador de Manaus com 9.744 votos, terminando como o 12º candidato mais votado entre 833 concorrentes.Dois anos depois, tentou subir para a Aleam e praticamente dobrou a própria votação: chegou a 18.478 votos. O crescimento, porém, não foi suficiente.
Aldenor terminou como 41º colocado na apuração para deputado estadual e ficou na condição de suplente. Na prática, o vereador conseguiu ampliar significativamente sua votação, mas esbarrou na disputa proporcional dentro da federação.
Capital político do casal não virou duas cadeiras
Durante a campanha, a estratégia do grupo ficou explícita: Joana disputaria uma vaga na Câmara Federal enquanto Aldenor tentaria ocupar o espaço que ela deixaria na Aleam. A movimentação chegou a ser descrita como uma campanha de “esforço dobrado”, com Joana dividindo espaço eleitoral entre a própria candidatura e a do marido. A aposta, entretanto, não terminou em uma vitória dupla.
Joana conseguiu levar seus 85.461 votos para Brasília e encerrou o ciclo de três mandatos eletivos no Amazonas. Aldenor, apesar do aumento expressivo em relação à eleição municipal de 2024, não conseguiu alcançar uma das cadeiras estaduais. A estratégia, portanto, funcionou para manter Joana no jogo político e elevá-la ao Congresso, mas não para garantir a sucessão familiar imediata na Assembleia.
De quatro vitórias a duas derrotas para Aldenor
O contraste também aparece no histórico eleitoral dos dois. Joana chega a 2026 com quatro vitórias em quatro eleições: vereadora em 2016, deputada estadual em 2018 e 2022 e, agora, deputada federal em 2026. Aldenor tem trajetória mais irregular.
Em 2016, tentou uma vaga de vereador e recebeu apenas 496 votos, ficando fora da CMM. Em 2024, voltou à disputa municipal, alcançou 9.744 votos e foi eleito. Em 2026, tentou a Aleam, mas ficou novamente fora, desta vez com 18.478 votos. O retrospecto fica, portanto, em uma vitória e duas derrotas.
De volta à CMM
Sem mandato na Aleam a partir de 2027, Aldenor continuará exercendo o cargo para o qual foi eleito em 2024. Naquele pleito, recebeu 9.744 votos e ficou entre os 12 candidatos mais votados de Manaus, garantindo uma cadeira para a legislatura municipal. A derrota estadual, portanto, não significa o fim do mandato. Aldenor apenas não conseguiu fazer a mudança de endereço político que a família havia planejado para 2027.
Joana, por outro lado, fará o movimento inverso: deixa a Aleam e assume uma cadeira na Câmara dos Deputados em 1º de fevereiro de 2027. O resultado deixa uma fotografia curiosa das urnas de 2026: Joana ampliou o próprio espaço político, mas o marido não conseguiu ocupar a cadeira estadual que ela deixará.
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