Manaus, 13 de outubro de 2026
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Manaus, 13 de outubro de 2026

Cidades

Justiça Federal dá dez dias para governos explicarem ações contra queimadas na Amazônia

Decisão cobra esclarecimentos da União, Ibama e governos do Amazonas e do Pará sobre recursos, fiscalização e operações de combate aos incêndios florestais.

El Niño pode agravar queimadas (Foto: Reprodução / Agência Brasil / Jader Souza / AL Roraima)

Manaus (AM) – A Justiça Federal estabeleceu prazo de dez dias para que a União, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e os governos do Amazonas e do Pará prestem esclarecimentos sobre as medidas adotadas para combater queimadas e incêndios florestais na região amazônica.

A decisão foi assinada na segunda-feira (12) pela juíza federal Mara Elisa Andrade, da 7ª Vara Federal Ambiental e Agrária do Amazonas. A determinação ocorre no âmbito de uma ação popular que aponta possíveis falhas na atuação dos órgãos públicos durante a estiagem de 2026.

Antes de decidir sobre a imposição de medidas emergenciais, a magistrada determinou que os órgãos apresentem informações sobre as estruturas mobilizadas, os recursos orçamentários utilizados, as operações em andamento e a articulação entre os governos.

O processo também questiona a execução dos recursos destinados ao combate ao fogo e a eventual recusa de ajuda entre os entes federativos.

Ação pede reforço na fiscalização

A ação popular foi apresentada por Laiza Bezerra Maciel, Ruy Marcelo Alencar de Mendonça e Marcelo de Vargas Estrella. Os autores solicitam a apresentação de planos emergenciais, o reforço das equipes de fiscalização e dos brigadistas e a integração das operações para enfrentar os incêndios e os efeitos da fumaça no Amazonas e no oeste do Pará.

Entre os pedidos estão a apresentação, pela União e pelo Ibama, de um plano operacional emergencial, com mobilização de equipes do Prevfogo, indicação de equipamentos disponíveis e mecanismos de coordenação entre os governos.

Para o Amazonas, a ação solicita um plano estadual com reforço de brigadistas, operações integradas de fiscalização e medidas de comunicação de risco à população. O governo paraense também poderá ser obrigado a apresentar planejamento semelhante para as áreas mais afetadas.

A juíza destacou a necessidade de obter informações sobre as providências adotadas e a dimensão do problema antes de avaliar os pedidos de urgência.

(Foto: Reprodução)

Amazonas registra aumento de focos de incêndio

A decisão ocorre em meio ao aumento dos registros de incêndios florestais no estado. Nos dez primeiros dias de outubro de 2026, o Amazonas contabilizou 1.380 focos de incêndio, contra 372 no mesmo período de 2025, uma alta de 271%, segundo dados do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).

A fumaça também afeta a qualidade do ar. Na terça-feira (13), Manaus permaneceu entre as cidades com pior qualidade do ar do país, conforme a plataforma internacional IQAir, apesar de uma melhora registrada após chuvas durante a madrugada.

Fumaça provocada por queimadas cobre Autazes e trechos da rodovia AM-254, reduzindo a visibilidade e dificultando o tráfego. (Foto: Reprodução/ redes socias)

Ibama mobiliza aeronaves para combater incêndios

Na segunda-feira (12), aeronaves do Ibama lançaram mais de 10 mil litros de água sobre focos de incêndio na Região Metropolitana de Manaus, como parte de uma força-tarefa federal.

(Foto: Ibama /Divulgação)

Segundo informações divulgadas pelo órgão, 11 aeronaves foram mobilizadas para reforçar as operações no Amazonas: seis aviões Air Tractor, um cargueiro KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB), três helicópteros e um avião Caravan.

As operações estão previstas para diferentes áreas do estado, incluindo Manaus, Autazes, Itacoatiara e Parintins. O planejamento também inclui a estruturação de uma base de apoio aéreo em Itacoatiara.

A ação judicial busca esclarecer se as medidas adotadas pelos governos são suficientes para enfrentar os incêndios e reduzir os impactos ambientais e os riscos à saúde da população durante a estiagem.

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