Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Cenário

Lixão a céu aberto expõe fragilidade ambiental em Benjamin Constant

Sem apoio federal, cidade amazonense enfrenta sozinha décadas de lixo despejado por vizinhos peruanos.

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Imagens mostram uma espécie de conteção feita pelos vizinhos peruanos - Foto: (Prefeitura de Benjamin Constant)

Brasília (DF) – Com décadas de lixo peruano acumulado, prefeitura de Benjamin Constant pede socorro para solucionar o problema internacional descartado no Rio Javarizinho. O município do interior, localizado à 1.621 quilômetros de Manaus, faz fronteira com a cidade de Islândia no Peru, e os vizinhos fazem o descarte irregular do lixo resultando na poluição do que afeta toda a população.

Segundo o secretário de Meio Ambiente de Benjamin Constant Francisco Gladson da Silva, um relatório está sendo feito por técnicos municipais e a análise do material é realizada junto à Universidade Federal do Amazonas (UFAM) para mostrar os efeitos da poluição ao governo federal.

Gladson da Silva pontuou a reportagem que a prefeitura está realizando a limpeza dos igarapés e do rio com o excedente de resíduos.

“Estamos realizando em parceria com a UFAM o monitoramento da água dos rios com análises microbiológicas, monitoramento da água captada e tratada pela COSAMA, além de realizarmos a limpeza dos igarapés e do rio com o excedente de resíduos que vem baixando nos rios Javarizinho e Javari (…) Esse mesmo relatório também será entregue ao ministério público e ao MPF para nos ajudarem em uma resolutividade ao problema em parceria com o governo peruano,” disse o secretário.

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Rio Javarizinho parte de Islândia no Peru- Foto: (Prefeitura de Benjamin Constant)

O Portal AM1 pediu uma explicação ao Ministério do Meio Ambiente sobre a demora para resolver a situação do município que envolve outro país.

Segundo o prefeito do município brasileiro, Semeide Bermeguy Porto, a gestão já fez inúmeras tentativas para conversar com representantes da região de Islândia, mas sem sucesso.

“A questão de Islândia é mais complicada por ser um outro país. Temos tentado conversar amigavelmente com eles, com representantes, mas é uma problemática que está além daquilo que podemos resolver por aqui,” explicou Semeide.

Exposição do abandono  

Enquanto o Fundo Amazônia divulga a destinação de um bilhão em recursos para projetos de restauração ecológica, tecnologias e fortalecimento da agricultura familiar, a contaminação internacional continua no município do interior.

Segundo o senador Plínio Valério (PSDB), a situação de Benjamin Constant reflete a realidade que é negligenciada e o Fundo Amazônia, venerado por muitos, não chega na ponta para resolver estes problemas reais da Amazônia.

“Nós da Amazônia brasileira, não podemos pagar pelos erros ambientais de outros países vizinhos. Todo esse lixo peruano está contaminando nossos rios. As autoridades brasileiras precisam agir urgente diante da grave situação ambiental. Esse lixão a céu aberto está contaminando a água, colocando em risco a saúde das populações ribeirinhas e nossa biodiversidade. Onde estão as ONGs que se preocupam com a floresta? Muitas vezes os órgãos ambientais se preocupam em punir moradores da Amazônia, mas onde estão para defendê-los,” disse o parlamentar.

Após os questionamentos, uma reunião a portas fechadas para discutir questão de Benjamin Constant foi confirmada pela assessoria da ministra Marina Silva e deve acontecer nesta quarta-feira (18). A lista com os participantes, ainda não foi confirmada.

A reportagem não localizou registros oficiais de tratativas diplomáticas anteriores sobre o caso e entrou em contato com a embaixada do Peru e com o Ministério de Relações Exteriores para entender se há alguma negociação em curso sobre o caso ambiental, mas até a publicação deste material não houve um retorno.

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