(Foto: Divulgação /Presidência da República)
Manaus (AM) – Em meio ao agravamento da tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve aproveitar a cúpula do G7, na França, para tentar uma aproximação com o presidente norte-americano Donald Trump.
Nos bastidores do Palácio do Planalto, auxiliares já consideram “inevitável” um encontro entre os dois líderes durante o evento, marcado para ocorrer entre os dias 15 e 17 de junho, em Evian.
A tentativa de diálogo acontece justamente no momento em que o governo brasileiro enfrenta uma das maiores pressões comerciais dos últimos anos. Nesta semana, os Estados Unidos anunciaram novas medidas que podem elevar para até 37,5% as tarifas sobre produtos brasileiros, um duro golpe para setores da economia nacional que dependem do mercado norte-americano.
A crise ganhou força após dois relatórios divulgados pelo governo dos EUA. O primeiro acusa o Brasil de manter práticas comerciais que “oneram ou restringem” empresas americanas e propõe uma tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras. O segundo documento, divulgado na terça-feira (2), aponta falhas do Brasil no combate à importação de produtos ligados ao trabalho forçado e sugere uma sobretaxa adicional de 12,5%.
Caso as medidas avancem, o impacto pode atingir diretamente exportadores brasileiros, sobretudo os setores industrial e agropecuário, além de aumentar a pressão sobre a economia em um momento de crescimento desacelerado e incertezas fiscais internas.
Apesar da gravidade do cenário, o governo brasileiro afirma que ainda não foi oficialmente comunicado sobre as novas tarifas. Durante reunião ministerial nesta quarta-feira (3), Lula disse ter sido “surpreendido” pelas medidas anunciadas pelos Estados Unidos e declarou que o Brasil “não pode aceitar” o tratamento dado pela gestão Trump.
Nos bastidores, no entanto, integrantes do governo admitem preocupação com o desgaste diplomático acumulado nos últimos meses. As críticas frequentes de Lula ao governo norte-americano e as declarações contra o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, chamado pelo petista de “latino-americano frustrado”, contribuíram para ampliar o clima de tensão entre os dois países.
Agora, diante da ameaça de um novo tarifaço, o Planalto tenta construir uma ponte política com Trump para evitar prejuízos maiores à economia brasileira.
Lula confirmou nesta quarta-feira sua participação na cúpula do G7 após convite do presidente francês Emmanuel Macron. Embora o Brasil não faça parte do grupo das maiores economias industrializadas do mundo, o petista tem participado das reuniões desde o retorno ao Palácio do Planalto, em 2023.
A expectativa é que o encontro na França sirva como teste para a capacidade do governo brasileiro de conter o avanço das barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos e recuperar espaço nas negociações internacionais.
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