Manaus, 4 de novembro de 2026
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Manaus, 4 de novembro de 2026

Cidades

Manaus está entre as 10 cidades do mundo mais expostas ao calor, aponta estudo

Pesquisa da Universidade de Oxford analisou 205 grandes cidades e colocou a capital amazonense na 9ª posição em exposição ao calor; no ranking geral de risco térmico, Manaus aparece em 27º lugar.

(Foto: Divulgação)

Manaus (AM) – Manaus está entre as dez cidades do mundo mais expostas às condições de calor extremo. É o que aponta um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, que avaliou 205 grandes centros urbanos com mais de 1 milhão de habitantes. A capital amazonense ocupa a 9ª posição no indicador de exposição ao calor, com pontuação de 0,96 em uma escala de zero a um.

A pesquisa, intitulada Moving beyond exposure: a globally comparable framework for heat risk assessment in cities (Além da exposição: uma estrutura globalmente comparável para avaliação do risco térmico nas cidades), foi publicada em 2026 na revista científica Sustainable Cities and Society.

O levantamento considera que o perigo provocado pelas altas temperaturas não depende apenas dos números registrados nos termômetros. Os pesquisadores analisaram três dimensões: exposição ao calor, vulnerabilidade socioeconômica da população e capacidade de enfrentamento das condições climáticas.

Embora apareça entre as dez cidades com maior exposição térmica, Manaus ocupa a 27ª posição no índice geral de risco, com pontuação de aproximadamente 0,66. Isso ocorre porque a classificação também considera as condições sociais e a infraestrutura disponível para proteger os moradores dos efeitos do calor.

Calor e umidade aumentam a exposição

Na avaliação da exposição térmica, os pesquisadores consideraram indicadores relacionados ao estresse causado pelo calor no corpo humano, incluindo temperatura do ar, umidade, velocidade do vento e radiação térmica.

Em Manaus, a combinação de temperaturas elevadas com alta umidade dificulta a evaporação do suor, mecanismo natural utilizado pelo organismo para regular a temperatura corporal. Com isso, o corpo encontra mais dificuldade para dissipar o calor, aumentando o desconforto e os riscos à saúde durante períodos de exposição prolongada.

A metodologia utiliza o Índice Universal de Clima Térmico (UTCI), que permite avaliar os efeitos das condições ambientais sobre o organismo humano.

O que explica o risco térmico?

Além das condições climáticas, o estudo considera fatores que podem aumentar a vulnerabilidade dos moradores, como renda, características demográficas e acesso a recursos para enfrentar as altas temperaturas.

A capacidade de enfrentamento também leva em conta a infraestrutura urbana, a disponibilidade de aparelhos de ar-condicionado, o acesso à energia elétrica e a presença de cobertura vegetal.

Nesse contexto, a arborização tem papel importante na redução da exposição ao calor. Árvores e áreas verdes oferecem sombra e contribuem para amenizar as temperaturas em ambientes urbanos.

A pesquisa também alerta para os limites da dependência exclusiva do ar-condicionado. O aumento do consumo de energia e os impactos ambientais associados à refrigeração podem agravar o problema climático. Por isso, os pesquisadores defendem soluções de resfriamento passivo, como sombreamento, ventilação natural e ampliação das áreas verdes.

Manaus lidera entre as cidades brasileiras

O levantamento também identificou outras dez cidades brasileiras entre os 205 municípios analisados. Manaus aparece na melhor posição nacional, seguida por Goiânia, na 46ª colocação, e Belo Horizonte, na 66ª.

Também estão na lista Fortaleza (67ª), São Paulo (77ª), Rio de Janeiro (83ª), Brasília (88ª), Recife (89ª), Salvador (93ª), Curitiba (119ª) e Porto Alegre (120ª).

Ao todo, nove cidades brasileiras aparecem entre as 100 primeiras posições do ranking geral de risco térmico.

Mapa destaca as cidades brasileiras incluídas no ranking mundial de risco térmico, com Manaus na 27ª posição (Foto: IA/Montagem Portal AM1)

Quais medidas podem reduzir o calor nas cidades?

Os resultados reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas à adaptação das cidades às mudanças climáticas. Entre as medidas apontadas pelos pesquisadores estão a ampliação da arborização, a criação de espaços públicos com sombra, o planejamento urbano e o investimento em alternativas de resfriamento que reduzam a dependência de equipamentos que consomem muita energia.

O estudo também destaca a importância de proteger grupos mais vulneráveis aos efeitos das altas temperaturas, como idosos, crianças e pessoas com condições de saúde que aumentam a sensibilidade ao calor.

A pesquisa não representa uma medição das temperaturas atuais de Manaus, mas uma comparação internacional das condições de exposição, vulnerabilidade e capacidade de resposta das cidades analisadas.

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