'A luta continua'; terceirizados da saúde imploram por salários em novo protesto
27 de novembro de 2020
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‘A luta continua’; terceirizados da saúde imploram por salários em novo protesto

Aos gritos de "eu quero receber" e com cartazes direcionados ao governador do Amazonas, nova manifestação dos terceirizados da saúde foi realizada nesta sexta-feira

‘A luta continua’; terceirizados da saúde imploram por salários em novo protesto
(Divulgação)

Em mais uma manifestação em frente ao Hospital e Pronto Socorro 28 de Agosto, na zona Centro-Sul de Manaus, servidores terceirizados da saúde pública do Estado se reuniram na manhã desta sexta-feira, 13, para pedir os pagamentos de salários, que já estão há quatro meses atrasados, segundo a presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Serviço de Saúde do Amazonas (Sindipriv-AM), a enfermeira Graciete Mouzinho.

Hoje, aos gritos de “eu quero receber” e com cartazes direcionados ao governador do Amazonas, como “A bronca é com o Wilson Lima”, o protesto durou por cerca de duas horas, mesmo sob forte sol com temperatura que chegou a 32ºC e sensação térmica de 36ºC, conforme registrou o site especializado em previsão do tempo Climatempo.

“É humilhante ficarmos debaixo do sol, mas é a única forma para que a sociedade fique sabendo o que está acontecendo e para que sejamos ouvidos”, diz Graciete, que continua: “Estamos cansados, temos que fazer essas manifestações para sermos ouvidos. Os trabalhadores já estão sendo despejados de suas casas por não conseguirem realizar o pagamento dos aluguéis, infelizmente. Ontem à noite, manifestamos em frente ao hospital Platão Araújo, na zona Leste, e hoje estivemos no 28 de Agosto”, destacou a presidente do Sindipriv-AM.

Na terça-feira, 17, por volta das 7h30, as manifestações se estenderão para o Ministério Público do Trabalho (MPT),  na avenida Mario Ypiranga, zona Centro-Sul da capital, onde os terceirizados irão apresentar uma denúncia formal constando todas as solicitações e reivindicações.

Denúncias

“As denúncias são sobre esses salários que atrasam toda vez e ainda não foi tomada nenhuma providência. Sobre o vale-transporte que o trabalhador não tem, sobre a alimentação que o hospital não está querendo mais dar. Eles só têm direito a almoço, mas não têm direito a suco, a café e nem nada. É uma escravidão total”, diz Graciete Mouzinho.

A enfermeira denuncia, também, que muitos dos funcionários estão trabalhando sem a carteira assinada. De acordo com as normas trabalhistas brasileiras, quando um indivíduo é contratado e não tem sua carteira assinada em um prazo máximo de 48 horas, é caracterizado flagrante de fraude que pode ser denunciado diretamente no Ministério do Trabalho (Delegacia do Trabalho) ou pode ser verificado por meio da visita de fiscais do trabalho ao estabelecimento.

“Muitos desses empregados estão sem registro de carteira, porque a empresa diz que é cooperativa e não está querendo pagar os direitos do trabalhador, e essa é a maior reivindicação e a mais grave que nós estaremos levando para o Ministério Público do Trabalho, e vai ser uma audiência com essa empresa que, justamente, está maltratando os profissionais. Isso é revoltante, é humilhante”, denuncia Mouzinho.

O que diz o Governo

Durante a semana, a Secretaria de Estado de Saúde (Susam) informou que o pagamento dos profissionais seria realizado até esta sexta-feira, mas segundo o Sindipriv, até o momento, os recursos ainda não foram repassados.

Deflagração de greve

“Caso não sejamos atendidos, vamos deflagar uma greve geral, porque não dá mais para aguentar. Já está indo longe demais essa situação lamentável. O governador não tem sensibilidade do que está acontecendo, porque estamos fazendo protesto direto, e eu ainda não vi, em nenhum momento, ele entrar em contato com a Sefaz [a Secretaria de Estado da Fazenda – responsável pela execução do pagamento e da arrecadação do Estado], ou seja, eles estão brincando com esses pais de família”, diz Graciete.

A manifestação da manhã desta sexta-feira iniciou por volta das 7h30 e durou por quase duas horas, envolvendo aproximadamente 50 profissionais. Segundo a presidente do Sindipriv-AM, uma jovem que está com o pai internado no 28 de Agosto, também se pronunciou a respeito da situação precária dos hospitais e se mostrou a favor dos protestos.

NOTA SUSAM

Em nota, a Susam esclareceu que somente no mês de setembro, foram efetuados mais de R$ 80,4 milhões em pagamentos, sendo R$ 39,5 milhões nesta semana (09 a 13/09) e que não medirá esforços para viabilizar os pagamentos ainda pendentes nesta semana que se aproxima.

Confira a nota na íntegra:

“Secretaria de Estado de Saúde (Susam) vem mantendo a regularidade nos pagamentos às empresas de técnicos de enfermagem, assim como a outras empresas terceirizadas da saúde.

Em setembro, foram efetuados mais de R$ 80,4 milhões em pagamentos, sendo R$ 39,5 milhões essa semana (09 a 13/09).

A programação de desembolso é feita conforme a disponibilidade orçamentária do Estado.

A Susam informa que não medirá esforços para viabilizar os pagamentos ainda pendentes nesta semana que se aproxima.”

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