Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Cidades

Mapeamento 3D inédito revela fundo dos rios amazônicos e identifica riscos à navegação

Estudo do Serviço Geológico do Brasil mapeou trechos do Rio Solimões na região de Manaus e identificou estruturas submersas e riscos à navegação.

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(Foto: Divulgação/Freepik)

Manaus (AM) – Um levantamento inédito realizado por um órgão público passou a revelar em três dimensões o leito dos rios amazônicos. Com o uso de tecnologia aplicada pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), o mapeamento 3D possibilita localizar estruturas submersas como pontes, dutos e cabos de fibra óptica, além de auxiliar na análise de riscos à navegação na região.

Realizada de 28 de janeiro a 12 de fevereiro, a ação mobilizou equipes técnicas por mais de duas semanas. Nesse período, foram percorridos cerca de 1.550 quilômetros na Região Metropolitana de Manaus, com avanço pelo Rio Solimões. Ao todo, o trabalho acumulou mais de 170 horas de navegação e permitiu mapear uma área de 91 km², alcançando pontos com até 120 metros de profundidade.

A operação utilizou um ecobatímetro multifeixe, tecnologia comum em pesquisas oceanográficas e agora aplicada aos rios da região. O equipamento, adquirido com recursos da Casa Civil, passará a ser empregado em estudos na Amazônia para contribuir com a segurança da navegação e auxiliar no monitoramento de processos como erosão e assoreamento.

De acordo com o Serviço Geológico do Brasil (SGB), o ecobatímetro multifeixe com tecnologia de backscatter opera por meio da emissão de vários feixes de som em direção ao leito do rio. Esses sinais retornam com intensidades distintas, conforme o tipo de sedimento ou a presença de estruturas submersas. Após o processamento das informações, o sistema produz representações precisas do relevo subaquático, permitindo a criação de mapas detalhados do fundo dos rios.

Em conversa com o G1, o gerente de hidrologia e gestão territorial da superintendência regional de Manaus do Serviço Geológico do Brasil, André Martinelli, destacou que o uso do ecobatímetro deve ampliar a compreensão sobre a dinâmica dos rios amazônicos e contribuir para a segurança da navegação. Segundo ele, a intenção é estender o monitoramento para outras áreas do estado e consolidar a iniciativa de forma contínua como política pública.

André Martinelli, ressaltou que o equipamento também permitirá avançar nos estudos sobre o transporte de sedimentos pelas dunas fluviais, um processo ainda pouco compreendido na Amazônia. Ele lembrou que a região tem registrado eventos climáticos extremos com maior frequência, com cheias expressivas em anos recentes e períodos de seca severa, e avaliou que a nova tecnologia será importante para compreender como essas variações interferem no comportamento dos rios e medir seus impactos.