(Foto: Beto Barata/ PL)
Manaus (AM) – A entrada de Michelle Bolsonaro na disputa pelo Senado ocorre em meio aos atritos internos do grupo político de Jair Bolsonaro. A ex-primeira-dama oficializou a candidatura nesta sexta-feira (15), pouco antes do fim do prazo eleitoral, depois de meses marcados por divergências públicas com o enteado, o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Esta será a primeira eleição disputada por Michelle para um cargo público. A candidatura, que chegou a ser colocada em dúvida diante do desgaste dentro da família, consolida a ex-primeira-dama como um dos nomes do bolsonarismo na corrida eleitoral de 2026.
O principal episódio de tensão ocorreu durante uma discussão envolvendo estratégias eleitorais do PL. Michelle e Flávio divergiram sobre alianças políticas e a condução da legenda em estados considerados estratégicos. O conflito ganhou repercussão nacional e contribuiu para a saída de Michelle da presidência do PL Mulher.
A ruptura expôs uma disputa que, além de familiar, revelou diferenças sobre os rumos políticos do grupo. Michelle mantém forte influência entre segmentos conservadores e religiosos, enquanto Flávio foi escolhido pelo pai para disputar a Presidência da República.
Apesar do histórico de atritos, os dois passaram a buscar uma reaproximação durante a campanha. A tentativa de reconstruir a unidade do grupo ganhou força com a participação conjunta em gravações eleitorais, após Jair Bolsonaro intervir para reduzir as tensões entre os familiares.
A aproximação, porém, não elimina as divergências que vieram à tona nos últimos meses. Michelle já havia demonstrado incômodo com decisões tomadas pelo grupo e defendido maior participação feminina na composição da chapa presidencial.
Patrimônio
No registro apresentado à Justiça Eleitoral, Michelle declarou patrimônio de R$ 4,4 milhões. A maior parte dos bens está concentrada em aplicações financeiras, incluindo uma de aproximadamente R$ 4,1 milhões e outra de R$ 300 mil.
Também consta na declaração um Volkswagen Fusca avaliado em R$ 30 mil. O veículo já havia sido citado por Michelle em 2025, quando ela afirmou que o carro foi revistado antes de ser levado a uma oficina sob a suspeita de que Jair Bolsonaro pudesse estar dentro.
Família na chapa
Caso seja eleita, Michelle terá o irmão, Diego Torres, como primeiro suplente. Ele ocupou o cargo de assessor especial do governo de São Paulo durante a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e deixou a função para participar da campanha da irmã.
A Justiça Eleitoral estabeleceu em R$ 3,8 milhões o limite de gastos para a campanha de Michelle ao Senado.
Com a candidatura oficializada, Michelle passa a disputar espaço próprio dentro do bolsonarismo. A eleição, além de definir as cadeiras do Senado, também poderá medir o peso político da ex-primeira-dama e a capacidade da família Bolsonaro de superar as divisões que vieram a público durante a preparação para as eleições de 2026.
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