Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Cidades

Moradores da zona norte de Manaus denunciam aumento de queimadas

Moradores cobram medidas das autoridades para conter queimadas que afetam saúde e meio ambiente.

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(Foto: Divulgação/Freepik)

Manaus (AM) – Moradores da zona norte de Manaus têm denunciado queimadas frequentes em bairros como Viver Melhor, Lago Azul Cidadão 7 e Nova Cidade, com destaque para Viver Melhor e Lago Azul, onde a situação é considerada mais crítica.

O Portal AM1 entrevistou um morador da região, que afirmou já ter denunciado a situação a órgãos do estado, sem obter retorno ou ação efetiva. Segundo ele, a punição dos responsáveis seria a medida mais eficaz para combater os crimes ambientais.

Ele também destacou que as queimadas têm provocado a derrubada de árvores centenárias, espalhado muita fumaça e agravado o calor na região. Por fim, pediu que as autoridades tomem providências urgentes para conter as queimadas.

O Portal AM1 entrou em contato com a assessoria da Prefeitura de Manaus sobre as queimadas na zona norte e aguarda um posicionamento oficial.

O Portal AM1 também conversou com o engenheiro florestal André Mendonça, que explicou os fatores que contribuem para o aumento das queimadas.

Segundo ele, o fenômeno ocorre historicamente nesta época do ano, quando há menor incidência de chuvas, sendo caracterizado com uma prática cultural da região.

“É uma coisa histórica, isso já existe na Amazônia há muitos anos, é praticamente cultural. Dito isso, a gente pode dizer, sim, que houve um aumento proporcional porque somos mais pessoas; a população cresceu. O incentivo da sociedade de consumo faz com que haja uma maior necessidade das pessoas terem dinheiro, produzirem coisas e fazer o que chamam de ‘economia girar’. Quando você tem uma pressão humana sobre os recursos naturais, isso normalmente é causado pelo aquecimento da economia ou por fatores externos, às vezes políticos”, explicou.

Mendonça destacou ainda que, além da pressão humana, as mudanças climáticas intensificam o problema.

“As secas têm se tornado ainda mais intensas, e a umidade continua elevada, funcionando como um sistema que atrai a fumaça e provoca sua mistura no ar. Como resultado, as populações ficam expostas a essa névoa tóxica por semanas, como se estivessem dentro de uma sala. Esse processo sempre existiu, mas vem se intensificando por conta das mudanças climáticas. Hoje, os períodos secos são mais prolongados e o calor mais extremo. O mundo está nesse processo há algum tempo, os cientistas vêm alertando, e os esforços para conter essa situação ainda não têm sido suficientes”, explicou.

Ele reforçou que, embora seja possível mitigar os efeitos das queimadas com ações de prevenção, fiscalização e assistência técnica para queimadas controladas, o verdadeiro desafio está na forma como a sociedade se estrutura.

Os efeitos dessas queimadas podem ser mitigados com ações de prevenção e assistência técnica, para que elas sejam realizadas de forma controlada. Também podemos pensar em melhorar a fiscalização, o monitoramento e o controle das atividades econômicas, mas o cerne da questão, que é a forma como a sociedade se estrutura, não vem mudando. Pelo contrário, a necessidade de crescimento econômico e de desenvolvimento desenfreado só tem se intensificado. Por isso, é preciso refletir sobre nosso modo de vida e o papel que ele desempenha nessa questão das queimadas”, finalizou.

Sobre o papel da população, o engenheiro florestal destacou que é fundamental que os moradores colaborem com ações locais.

“A população pode contribuir por meio de denúncias, fiscalização, divulgação de informações e contato direto com agentes de controle, como bombeiros e secretarias municipais e estaduais. É extremamente importante que as pessoas estejam bem informadas sobre essas questões. Uma população educada e consciente atua como propagadora de boas práticas e luta por um ecossistema ambientalmente justo, em que não seja apenas agente passivo, assistindo sem agir”, finalizou.

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