(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Manaus (AM) – Dia de Proteção às Florestas, comemorado anualmente em 17 de julho, visa conscientizar a população sobre a importância da preservação ambiental. No entanto, mesmo com a data reforçando o alerta, as queimadas e o desmatamento seguem em ritmo preocupante, principalmente na região amazônica.
Dados do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostram que o desmatamento causado por incêndios florestais subiu 8,4% na Amazônia entre agosto de 2024 e junho desse ano. No Cerrado, em contrapartida, houve queda de 22,5% no mesmo período.
Em entrevista ao Portal AM1, o ativista climático e socioambiental indígena Edson Kambeba, do município de Coari, destacou os principais fatores por trás da intensificação das queimadas no estado do Amazonas.

(Foto: Arquivo pessoal)
“As queimadas no Amazonas têm sido intensificadas principalmente pelo avanço do desmatamento ilegal, grilagem de terras e pelas mudanças climáticas. A seca severa, agravada pelo aquecimento global e por fenômenos extremos, também tem criado um ambiente propício para o fogo se alastrar com mais facilidade”, afirmou.
Para o ativista, o avanço das queimadas está diretamente ligado a um modelo de desenvolvimento que ignora as realidades locais.
“O modelo de desenvolvimento imposto à Amazônia, baseado na exploração predatória, não respeita os modos de vida tradicionais e incentiva práticas que colocam em risco nossas florestas e nossos povos.”
Impactos nas comunidades tradicionais
De acordo com Kambeba, as queimadas atingem diretamente a vida das comunidades indígenas e ribeirinhas, causando danos irreparáveis tanto ao meio ambiente quanto à saúde das populações locais.
“O fogo destrói nossas roças, nossa biodiversidade, nossas fontes de água e afeta diretamente a saúde das nossas famílias, principalmente de crianças e idosos. A fumaça causa problemas respiratórios e prejudica nossa qualidade de vida”, lamenta.
Kambeba também destaca que os impactos vão muito além dos prejuízos materiais e ambientais, afetando profundamente a cultura e a espiritualidade dos povos tradicionais.
“Além disso, as queimadas ameaçam territórios sagrados, a caça, os remédios naturais e todo o modo de vida tradicional. É uma violência ambiental que afeta diretamente nossa existência e resistência.”
Críticas à atuação do poder público
Ao avaliar a resposta dos governos estadual e federal, o ativista critica a lentidão e a falta de ações efetivas.
“A resposta do governo federal e estadual ainda é muito lenta, limitada e, muitas vezes, marcada por interesses políticos que ignoram a voz dos povos da floresta. Falta escuta, falta investimento em políticas de prevenção e valorização do conhecimento indígena no combate ao fogo”, declarou.
Segundo ele, a organização Coalizão Respira Amazônia, da qual faz parte, tem reforçado a necessidade de ações urgentes e integradas.
“É preciso agir com urgência, com planejamento e com participação ativa das lideranças indígenas e ribeirinhas. Sem justiça climática e sem proteger quem protege a floresta, as queimadas vão continuar matando silenciosamente o pulmão do mundo”, finalizou.
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