(Foto: Divulgação/Redes Sociais/Márcia e Reprodução/Defesa de Ismael)
Manaus (AM) – O motorista de aplicativo Ismael Gomes, que trabalha pela plataforma 99, compareceu voluntariamente ao 3º Distrito Integrado de Polícia (DIP), na manhã desta segunda-feira, para prestar esclarecimentos após ter sua imagem amplamente divulgada nas redes sociais em uma denúncia de agressão registrada por uma mulher identificada como Márcia Santos, musa de uma escola de samba de Manaus. Segundo ele, a exposição colocou sua vida e a de sua família em risco.
O caso ganhou grande repercussão após publicações feitas em redes sociais e sites de fofoca, antes mesmo da conclusão das apurações policiais. Ismael afirma que não transportou a mulher que o acusa e nega qualquer agressão.
Versão do motorista
Em depoimento à imprensa, Ismael relatou que trabalhava na madrugada, quando aceitou uma corrida solicitada por Márcia nas proximidades do estabelecimento Caritó, por volta das 4h da manhã. Segundo ele, houve confusão na identificação da passageira.
“Eu aceitei a corrida da Márcia, fui em direção ao Caritó, iniciei a corrida achando que era ela. Foi o meu erro”, afirmou.
O motorista disse que aguardou quase seis minutos no local, conforme registro do aplicativo, mas a passageira não apareceu.
“Esperei exatamente 5 minutos e 52 segundos que está registrado no aplicativo. Como ela não apareceu, finalizei a corrida no mesmo local”, disse.
Ismael afirma que não se deslocou com a passageira e que isso pode ser comprovado por relatórios da plataforma e pelo GPS instalado em seu veículo.
“O dela [relatório da corrida] é o único que não tem quilometragem, porque eu iniciei lá e finalizei lá”, declarou.
Após encerrar a corrida, o motorista aceitou outra chamada em local diferente, o que, segundo ele, também pode ser comprovado por dados de geolocalização.
Exposição e medo
O motorista contou que tomou conhecimento da acusação ainda pela manhã, após familiares e amigos alertarem sobre a repercussão nas redes sociais.
“Minha imagem sendo divulgada, pessoas querendo fazer justiça com as próprias mãos, colocando em risco a minha vida, a vida da minha família e dos meus filhos”, relatou.
Ele afirmou que sentiu medo de sair de casa e decidiu procurar imediatamente a polícia, mesmo sem ter sido notificado oficialmente.
“Eu não fui notificado. Eu que vim esclarecer tudo aqui porque a minha imagem está sendo divulgada de forma incorreta”, disse.
Atuação da defesa
Os advogados de Ismael afirmaram que existem testemunhas que indicam que a mulher que o acusa teria se envolvido em uma confusão dentro do estabelecimento Caritó antes dos fatos relatados nas redes sociais.
“Existem testemunhas que afirmam que essa senhora havia iniciado uma confusão dentro do estabelecimento e foi agredida por outra pessoa”, afirmaram.
A defesa informou ainda que solicitou imagens de câmeras de segurança do local para comprovar que Ismael não saiu com a passageira.
Além disso, foi registrado um boletim de ocorrência por calúnia e difamação devido às ameaças sofridas nas redes sociais.
“A vida de um homem está em risco. O Ismael está sendo ameaçado, a família dele está sendo ameaçada”, disseram os advogados.
Posição da Polícia Civil
A delegada responsável pelo caso destacou que tanto a denúncia da mulher quanto a exposição indevida do motorista nas redes sociais serão investigadas.
“Isso também é muito grave, porque a imagem de uma pessoa coloca em risco a vida das pessoas”, afirmou.
Ela alertou para os perigos de julgamentos precipitados.
“A polícia civil precisa investigar e saber realmente se aquele fato aconteceu ou não. Já tivemos inúmeros casos de julgamento precipitado, onde inclusive pessoas foram mortas”, disse.
Segundo a delegada, a suposta vítima ainda não havia prestado depoimento até o momento da entrevista, e diligências estavam em andamento para localizá-la.
Caso segue sob investigação
A Polícia Civil informou que o caso segue em investigação no 3º DIP e que todas as partes serão ouvidas antes de qualquer conclusão. A autoridade reforçou a necessidade de responsabilidade na divulgação de acusações nas redes sociais, especialmente quando ainda não há apuração oficial dos fatos.
LEIA MAIS:





