(Foto: Divulgação)
Manaus (AM) – O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) abriu um inquérito civil para investigar possíveis irregularidades nos contratos de limpeza das escolas estaduais, pagos sem cobertura contratual e sem licitação formal pela Secretaria de Educação (Seduc).
A investigação mira diretamente a empresa Pri Apoio Administrativo e Operacional Ltda., que atualmente opera sob o nome de Potencial Serviços Terceirizados de Conservação, Manutenção e Limpeza Ltda.*, e que, nos últimos anos, se transformou em uma das maiores beneficiadas da gestão do governador Wilson Lima (União Brasil).
A portaria assinada pela promotora Cley Barbosa Martins, titular da 13ª Promotoria de Defesa do Patrimônio Público (PRODEPPP), determina a conversão de um procedimento preparatório em inquérito civil, após a constatação de que a Seduc realizou pagamentos por indenização, sem licitação e sem contrato vigente, para a execução dos serviços de limpeza nas unidades de ensino estaduais. O documento cita que a Promotoria requisitou à Seduc a cópia dos “três contratos emergenciais” firmados entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, bem como informações sobre os critérios de escolha da empresa e a compatibilidade dos preços com o mercado.
A empresa investigada, com o mesmo CNPJ (24.564.597/0001-07), já foi conhecida como New Pri Serviços de Conservação e Limpeza Ltda. e, posteriormente, Pri Apoio Administrativo e Operacional Ltda., até adotar o nome atual — Potencial Serviços Terceirizados. A manobra societária, segundo fontes da própria administração estadual, tem servido para driblar o controle público, mascarar o histórico de irregularidades e manter a empresa apta a participar de novas licitações milionárias.
Entre 2021 e 2025, a Pri/Potencial recebeu mais de R$ 271,1 milhões da Seduc, distribuídos em apenas dois contratos de limpeza escolar. O mais expressivo, o Contrato nº 031/2021, chegou a ser suspenso por indícios de superfaturamento e aumento injustificado de valores, mas acabou retomado meses depois, em meio a decisões administrativas e judiciais que favoreceram a empresa. O contrato, que previa R$ 28,3 milhões anuais, saltou para R$ 43,6 milhões, acumulando R$ 132,6 milhões apenas nesse instrumento.
Mesmo após alertas técnicos, a empresa continuou a operar normalmente e mantém um fluxo privilegiado de pagamentos, recebendo antes de outros fornecedores do Estado — um tratamento que desafia os decretos de contenção de despesas assinados pelo próprio governador Wilson Lima.
O MPAM agora quer saber por que a Seduc continuou a pagar por serviços sem contrato vigente e como foram escolhidas as empresas beneficiadas. Fontes próximas à investigação confirmam que o caso pode ser judicializado e resultar em ações de improbidade administrativa contra gestores da pasta e representantes da empresa.
A atuação do Ministério Público reforça o que já vem sendo denunciado há meses: a existência de um esquema de blindagem e favorecimento envolvendo empresas estratégicas no governo Wilson Lima, que seguem recebendo valores milionários mesmo diante de evidências de superfaturamento e irregularidades.
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