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Manaus, 19 de julho de 2026
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Manaus, 19 de julho de 2026

Cenário

MPF investiga suspeita de contaminação em rios da terra indígena Waimiri-Atroari no AM

A investigação mira indícios de poluição em rios e igarapés utilizados diretamente pelas comunidades indígenas para consumo, higiene e pesca de subsistência.

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(Foto-montagem: © José Cruz/Agência Brasil/Reprodução-Frame/Redes Sociais)

Amazonas – O Ministério Público Federal (MPF) instaurou procedimento para apurar uma possível contaminação em cursos d’água que cortam a Terra Indígena Waimiri-Atroari, entre o Amazonas e Roraima, área historicamente marcada por conflitos socioambientais e pela pressão de grandes empreendimentos econômicos.

A investigação mira indícios de poluição em rios e igarapés utilizados diretamente pelas comunidades indígenas para consumo, higiene e pesca de subsistência.

A apuração foi reaberta após relatos recentes de indígenas sobre o aparecimento de manchas de lama nas águas, além de forte odor em trechos do igarapé Tiaraju e do rio Alalaú — principal curso d’água da terra indígena.

Em fiscalizações acompanhadas por equipes da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), também foram observados sinais de aumento no enlameamento das águas, levantando suspeitas de impacto ambiental relacionado à atividade minerária na região de Pitinga, em Presidente Figueiredo.

Mineração Taboca

No centro da preocupação está a atuação da Mineração Taboca, empresa que opera uma das maiores minas a céu aberto do país, voltada à extração de estanho, tântalo e nióbio. A empresa já havia sido alvo de questionamentos em 2021, quando relatórios técnicos apontaram vazamento de rejeitos e alteração na qualidade da água de rios que abastecem aldeias waimiri-atroari. À época, o MPF recomendou medidas urgentes para interromper qualquer despejo de substâncias em barragens de contenção da mineradora.

A nova frente de investigação amplia a tensão em um território que carrega um histórico de violações. Os Waimiri-Atroari, também conhecidos como Kinja, sofreram forte redução populacional durante a abertura da BR-174 e foram novamente impactados por grandes obras, como a hidrelétrica de Balbina, que inundou áreas tradicionalmente ocupadas pelo povo indígena.

Mais recentemente, o próprio MPF obteve decisão judicial determinando a revisão dos limites da terra indígena, reconhecendo omissão do Estado na proteção territorial do povo waimiri-atroari.

Agora, o foco está na preservação dos recursos hídricos — vitais para a sobrevivência física, cultural e alimentar das comunidades. A depender dos resultados técnicos e laboratoriais, a investigação pode resultar em medidas judiciais, responsabilização ambiental e eventual imposição de ações reparatórias.

Nos bastidores, o caso reacende um debate sensível no Amazonas: até que ponto a expansão mineral na Amazônia poderá avançar sem aprofundar passivos ambientais e sem colocar em risco territórios indígenas já historicamente fragilizados.

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