“Ela disse que queria parar (com o crime), mas nunca parou. Disse que orou muito a Deus pra dar esse livramento a ela. Então Deus mostrou o DRCO e paramos esse crime dela”, disse o titular da Delegacia de Repressão Crime Organizado (DRCO), delegado Sinval Barroso de Souza ao apresentar à imprensa Eva Maria do Nascimento, 48, acusada de fraudar o sistema previdenciário causando um prejuízo de R$ 4 milhões durante 29 anos.
Eva Maria, conforme o titular da DRCO, se apropriou dos documentos e pagamentos de pensão de Fernando Bonates, falecido em 1990, e passou a receber o benefício, que girava em tono de R$ 10 mil por mês. Fernando era primo do pai do secretário de Segurança Pública (SSP-AM), Louismar Bonates.
O caso despertou desconfiança da Amazonprev e ao cruzar os dados dos pensionistas e ativos detectaram a irregularidade. De acordo com a investigação da DRCO, Eva mantinha uma conta ativa de Fernando, que nos dias de hoje teria 96 anos, no banco Bradesco.
“Ela zerava a conta e descobrimos pelas filmagens de uma rede particular do (Manauara) shopping que ela foi a uma farmácia. Ela exigiu que colocasse o CPF dela na conta para obter desconto. Então a gente chegou à dona Eva”, explicou Sinval, ao questionar a colaboração do Bradesco, que se negou colaborar com as investigações; mesmo a DRCO apresentando a certidão de óbito de Fernando Bonates e solicitando o bloqueio da conta, o Bradesco negou fazer o bloqueio.
De acordo com o delegado Sinval Barroso, Eva Maria é funcionária pública dos Correios e, à época do início da fraude, era funcionária do extinto Banco do Estado do Amazonas (BEA). Ela era conhecida de Fernando Bonates e o ajudava a receber os proventos. “Quando ele faleceu, ela se apropriou dos documentos dele”, disse Sinval.
O presidente da Amazonprev, André Luiz Zogahib, destacou que Eva Maria procurou brecha no sistema para se beneficiar. “Ela conseguiu burlar o sistema, principalmente dentro do banco, porque ela recebia os cartões de uma pessoa falecida”, frisou.
Tanto André quando o delegado Sinval não descartam a possibilidade de participação de outras pessoas, uma vez que todos os anos era feito o recadastramento do já falecido Fernando e os cartões eram enviados para ela.
“Nossos sistemas são extremamente rígidos, mas não estamos livres de que essas pessoas mal intencionadas possam vir a querer cometer esse tipo de crime”, explicou Zogahib.
Eva foi presa na última sexta-feira, 30, em cumprimento a mandado de prisão preventiva expedido pela juíza Karen Aguiar. Eva foi indiciada por estelionato majorado e será encaminhada para o Centro de Detenção Provisória Feminino, na BR-174, e ficará à disposição da Justiça.





