Brasileira e indiana ganham prêmio de Defensoras Militares da Igualdade de Gênero da ONU

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12 de julho de 2020
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Brasileira e indiana ganham prêmio de Defensoras Militares da Igualdade de Gênero da ONU

Pela primeira vez, duas militares receberão o prêmio conjuntamente pela contribuição a esta importante causa.

Brasileira e indiana ganham prêmio de Defensoras Militares da Igualdade de Gênero da ONU
Foto: Hervé Serefio/ MINUSCA

Uma brasileira, servindo nas Forças de Paz da República Centro-Africana, e uma indiana que recentemente completou sua missão no Sudão do Sul foram selecionadas para receber o Prêmio de Defensoras Militares da Igualdade de Gênero da ONU 2019.

A comandante Carla Monteiro de Castro Araújo, oficial da Marinha brasileira trabalhando na Missão de Estabilização Multidimensional Integrada das Nações Unidas na República Centro-Africana (MINUSCA), e a major Suman Gawani, do exército indiano, uma observadora militar que serviu na Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul (UNMISS), receberão o prêmio durante uma cerimônia on-line presidida pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, marcando o Dia Internacional das Forças de Paz da ONU na sexta-feira, 29 de maio, às 10 horas (11 horas no Brasil).

Criado em 2016, o Prêmio de Defensoras Militares da Igualdade de Gênero da ONU reconhece a dedicação e o esforço de um militar das Forças de Paz em promover os princípios da Resolução 1325 da ONU sobre mulheres, paz e segurança, dentro do contexto de operação de paz, como nomeado pelos chefes e comandantes das operações de paz.

Pela primeira vez, duas militares receberão o prêmio conjuntamente pela contribuição a esta importante causa.

“Este prêmio é um reconhecimento pelo trabalho de equipe envolvendo a força da MINUSCA e o componente civil”, afirmou a comandante Carla Monteiro de Castro Araújo ao receber a notícia da premiação. “É muito gratificante para mim e para a Missão ver nossas iniciativas dando frutos”, acrescentou.

A major Suman Gawani também expressou gratidão por ver seu trabalho como observadora militar da ONU ser reconhecido. “Qualquer que seja a função, posição ou nível, é nosso dever como integrantes das Forças de Paz incorporar todas as perspectivas de gênero no nosso trabalho diariamente e nos apropriar delas em nossas interações com os colegas e também com as comunidades”, afirmou a indiana.

A comandante Carla Monteiro de Castro Araújo tem servido como conselheira de proteção e gênero na sede da MINUSCA desde abril de 2019. Ela estabeleceu e conduziu um amplo treinamento em aspectos relacionados a gênero e proteção. Graças aos seus esforços, a Missão aumentou significativamente o número de pontos focais de proteção de gênero e de crianças em suas respectivas localidades.

Ela foi fundamental para aumentar o envolvimento das patrulhas de resposta de gênero com as comunidades locais de 574 para aproximadamente 3 mil por mês.

Desde sua designação para a UNMISS em dezembro de 2018, a major Suman Gawani orientou mais de 230 Observadores Militares da ONU em violência sexual relacionada a conflito e garantiu a presença de mulheres observadoras militares em cada uma das equipes locais da Missão. Ao proporcionar apoio, orientação, conselho e liderança, ela ajudou a criar um ambiente adequado para os integrantes da Força de Paz da ONU. Ela também treinou forças governamentais do Sudão do Sul e ajudou no lançamento do plano do governo de violência sexual relacionada a conflito.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, cumprimentou as militares pelo prêmio. “Estas integrantes das Forças de Paz são poderosos modelos. Através do seu trabalho, elas trouxeram novas perspectivas e têm ajudado a construir confiança e segurança entre as comunidades onde elas servem”, afirmou. “Através do seu comprometimento e métodos inovadores, elas alcançaram um nível de excelência que é uma inspiração para todos os capacetes azuis em todo o mundo. Ao confrontarmos os desafios atuais, o trabalho delas nunca foi tão importante e relevante”, complementou.

Este é o segundo ano seguido que uma brasileira recebe este prestigiado prêmio e a primeira vez que é destinada a uma integrante das Forças de Paz da Índia. No ano passado, a capitã de corveta brasileira Marcia Andrade Braga, então membro da MINUSCA, recebeu o prêmio.

Comandante Carla Monteiro Foto: Hervé Serefio/ MINUSCA

Sobre as premiadas

A comandante Carla Monteiro de Castro Araújo entrou para o serviço de saúde da marinha brasileira em 1997. Ela trabalhou por mais de dez anos como dentista na Marinha. Por mais de cinco anos, trabalhou na Unidade Médica expedicionária da Marinha, com experiência em gerenciamento de risco e controle e apoio à saúde. A militar brasileira se formou na Escola de Oficiais em 2012.

A major Suman Gawani entrou para o exército indiano em 2011, quando se formou na Academia de Treinamento de Oficiais, e se juntou às tropas de sinal do Exército. Ela é graduada em Engenharia de Telecomunicações no Colégio Militar de Telecomunicação e em Educação pelo Colégio de Pós Graduação do Governo em Dehradun na Índia.

Sobre o prêmio

O Prêmio de Defensoras Militares da Igualdade de Gênero da ONU é fundamentado pelos princípios contidos na Resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas 1325 e segue resoluções sobre mulheres, paz e segurança. Estas resoluções chamam os atores a adotar uma perspectiva de gênero em todos os aspectos da manutenção e construção da paz e a garantir a participação das mulheres nos processos políticos e de paz. Elas também pedem a proteção e a prevenção de violência sexual relacionada a conflitos e a expandir o papel e a contribuição das mulheres nas operações de paz, incluindo mulheres não uniformizadas nas Forças de Paz.

Do total atual de 85 mil servidores uniformizados das Forças de Faz, 6,4% são mulheres e esse número tem crescido continuamente. As Nações Unidas têm trabalhado com os estados-membros para aumentar o número e o percentual de servidoras mulheres nas áreas militares, policiais, de Justiça e correção que contribuem com as Forças de Paz da ONU, incluindo por meio da iniciativa Ação para Manutenção da Paz. No referido contexto, promover a participação de mulheres, tanto nas Forças de Paz quanto nas sociedades que elas servem, é a parte central dos esforços, em parceria ativa com os estados-membros.

 

(*) Com informações da ONU

Amazonas1 TV

Publicado por Amazonas1

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