Omar Aziz e Maria do Carmo. (Foto-montagem: Divulgação/Assessoria)
Por Carlos Santiago*
A eleição de 2026 para o governo do Amazonas pode repetir o resultado da disputa pela Prefeitura de Manaus em 2024, quando o voto bolsonarista levou o deputado federal Capitão Alberto Neto (PL) ao segundo turno contra o então prefeito David Almeida (Avante), que buscava a reeleição. Mas a força do eleitorado fiel ao ex-presidente Jair Bolsonaro não foi suficiente para assegurar a vitória do candidato do Partido Liberal.
Sabemos que o bolsonarismo foi decisivo para que Maria do Carmo (PL) chegasse ao segundo turno. O desafio para vencer, entretanto, passa a ser outro: ampliar sua votação para além do eleitorado que já está identificado com o campo político do ex-presidente Bolsonaro.
Para isso, a candidata do PL terá de buscar praticamente a totalidade dos votos associados a Flávio Bolsonaro no Amazonas, que representaram 45% dos votos no primeiro turno, e, ao mesmo tempo, disputar uma parcela do eleitorado que votou no presidente Lula, que venceu no Estado com 48% dos votos válidos.
E é justamente nesse ponto que está uma das questões centrais da disputa: como furar a própria bolha eleitoral e ampliar a base de apoio? A tarefa não é simples. Omar Aziz, assim como David Almeida fez na eleição municipal, não concentrou sua campanha e sua articulação política exclusivamente no eleitorado identificado com o presidente Lula.
A estratégia de Omar Aziz também envolve a construção de uma rede mais ampla de apoios, reunindo prefeitos, deputados, vereadores, religiosos, empresários, categorias profissionais e eleitores de centro.
Na disputa pelas duas vagas do Senado Federal, Plínio Valério (PSDB) e Eduardo Braga (MDB) também adotaram estratégias de ampliação de alianças eleitorais. O movimento incluiu diferentes grupos políticos e chegou até mesmo ao prefeito de Manaus, Renato Júnior. O resultado foi uma votação que ultrapassou os limites de um único campo ideológico e impôs ao candidato Capitão Alberto Neto, do PL, uma derrota impactante na disputa pelo Senado.
O que essas disputas revelam é que, no Amazonas, a identidade ideológica pode ser importante para levar um candidato ao segundo turno, mas a segunda etapa exige a construção de uma aliança política mais ampla. E é nessa etapa que as alianças políticas, a capacidade de diálogo e a aproximação com diferentes segmentos sociais podem ganhar peso.
As derrotas eleitorais de Alberto Neto em 2024 e 2026, portanto, podem servir como referência para a estratégia de Maria do Carmo. O caminho para ampliar sua votação passa pela possibilidade de alargar a base eleitoral dela, estabelecer novos diálogos com grupos sociais e partidos políticos e tentar ultrapassar os limites tradicionais do eleitorado bolsonarista no Amazonas.
No segundo turno, a disputa tende a exigir mais do que a fidelidade de uma base política. E se o PL do Amazonas não conseguir ampliar seus apoios, poderá colher, novamente, uma derrota eleitoral.
(*) Sociólogo, Cientista Político, Filósofo e Advogado
LEIA MAIS:





