Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Cenário

‘O problema não é quanto se gasta, mas como se gasta’, afirma especialista sobre emendas parlamentares

Analista avalia que má gestão compromete resultados em saúde e educação, enquanto emendas ampliam o debate sobre eficiência do gasto público.

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(Foto: Divulgação /Câmara dos Deputados)

Manaus (AM) – O crescimento das emendas parlamentares no Orçamento de 2025 tem reforçado o protagonismo do Congresso Nacional na definição do destino dos recursos públicos, mas, na avaliação do analista político e econômico Helso Ribeiro, em entrevista exclusiva ao Portal AM1 esse movimento não pode ser interpretado apenas como perda de espaço do Executivo. Para ele, a maior presença de emendas em áreas como Turismo e Esporte reflete, em parte, uma tentativa de compensar setores historicamente negligenciados pelo orçamento federal.

“Se a gente fizer uma análise bem racional, bem crua, vamos ver que o valor destinado obrigatoriamente à saúde e à educação no Brasil já é alto se comparado com outros países”, afirma Ribeiro. “Quando há aperto de cintos, esporte, turismo, juventude e políticas para mulheres são as primeiras áreas a sofrer cortes.”

Segundo o analista, a destinação de emendas para esses setores cumpre um papel estratégico de desenvolvimento econômico e social. No caso do turismo, Ribeiro destaca o potencial ainda subexplorado do país.

“O Brasil é o quinto maior país do mundo, é um país bonito, e mesmo assim não está nem entre os 40 mais visitados. Investir em turismo gera renda e cria novas perspectivas econômicas”, diz.

Ele também ressaltou o impacto social do esporte como política pública.

“O esporte é um dos canais para tirar crianças da marginalidade, da rua. Isso precisa ser fomentado.”

A avaliação de Helso Ribeiro dialoga com os números da execução do Orçamento de 2025, que mostram um aumento expressivo do controle do Congresso sobre os recursos discricionários do Executivo. No total, as emendas parlamentares passaram a representar 21,9% do orçamento discricionário, cenário que tem provocado debates no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o equilíbrio entre os Poderes.

Entre os ministérios mais influenciados proporcionalmente pelas emendas estão justamente o Ministério do Turismo, onde até 78,9% do orçamento discricionário foi composto por indicações parlamentares, e o Ministério do Esporte, com 65,2% da verba discricionária definida pelo Legislativo.

A Saúde aparece em terceiro lugar proporcionalmente, mas lidera em volume absoluto de recursos recebidos via emendas, reforçando seu peso político e social. Ainda assim, Helso Ribeiro ponderou que o desafio central não está apenas no montante destinado a áreas essenciais, mas na eficiência da gestão pública.

“Se o dinheiro destinado à saúde e à educação fosse melhor administrado, teríamos resultados muito mais expressivos”, avalia.

Em relação ao estado do Amazonas, o analista também apontou que a lógica eleitoral influencia fortemente a destinação das emendas. Temas como obras de infraestrutura viária, segurança pública e incentivo a polos industriais tendem a dominar o discurso parlamentar, especialmente diante do peso do eleitorado do interior, que representa cerca de 48% dos eleitores brasileiros.

“Muitos municípios acabam recebendo emendas para consolidar bases eleitorais locais”, observa.

Enquanto o STF discute os limites constitucionais das emendas parlamentares, os dados do Orçamento de 2025 e a análise de especialistas indicam que para este ano, a disputa pelo controle dos recursos públicos permanece no centro do jogo político brasileiro.

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