(Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)
Manaus (AM) – A Polícia Civil do Rio de Janeiro deve divulgar nesta sexta-feira (31) a lista parcial das vítimas da megaoperação realizada na última terça-feira (28) nos complexos do Alemão e da Penha. Em nota, o governo informou que também apresentará as fichas criminais dos suspeitos. Participam da coletiva o secretário de Segurança Pública, Victor dos Santos, o secretário de Polícia Civil, delegado Felipe Curi, e outros representantes da instituição. Será informado ainda quais mortos eram de fora do estado e seus locais de origem.
A ação policial resultou em 121 mortes, incluindo quatro policiais. Até a tarde de quinta-feira (30), mais da metade dos 117 corpos oficialmente contabilizados já havia sido identificada e alguns liberados para sepultamento.
Parlamentares denunciam problemas no Instituto Médico-Legal (IML) Afrânio Peixoto, no centro do Rio, onde estão sendo realizadas as necrópsias. Segundo a deputada estadual Dani Monteiro (PSOL-RJ), presidenteda Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa, familiares estão dormindo nas portas do instituto “convivendo com o cheiro dos corpos sem refrigeração” devido à demora na liberação das vítimas.
“O que vimos nos últimos dias é a face mais cruel da violência de Estado. Famílias estão dormindo na porta do IML, convivendo com o cheiro dos corpos dos seus entes queridos sem refrigeração. Isso não é política de segurança, é abandono estatal”, afirmou Monteiro durante o evento “Rio Sem Massacre”, na Escola do Legislativo (Elerj).
O governo do Rio esclareceu que o IML está sendo usado exclusivamente para a necrópsia dos mortos na operação. O atendimento às famílias ocorre em um prédio do Detran, ao lado do instituto. Casos não relacionados à operação estão sendo direcionados ao IML de Niterói, na região metropolitana.
A Defensoria Pública do Rio informou que foi impedida de acompanhar as perícias, mas criou uma força-tarefa com 40 profissionais para atender as famílias, das quais 106 já procuraram o órgão para obter documentos, solicitar sepultamento gratuito ou regularizar o traslado de corpos para outros estados. A defensora Mirela Assad, da Coordenação Geral de Programas Institucionais (Cogpi), explicou que parte das dificuldades decorre da ausência de familiares para identificação de suspeitos mortos.
Durante todo o dia, a deputada Dani Monteiro acompanhou a comitiva do governo federal nas comunidades da Penha e do Alemão e no IML, prestando acolhimento às famílias.
“Direitos humanos não são obstáculos, mas a base de uma política pública séria. Nenhuma política de segurança se sustenta sobre o sangue do seu povo”, disse.
O Ministério Público do Rio de Janeiro está utilizando tecnologia de reconstrução digital dos corpos, que registra todas as lesões externas, auxiliando as investigações dos promotores.
(*) Com informações Redação O Estado de S. Paulo
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