Manaus, 11 de agosto de 2026
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Entretenimento

Pascoal da Conceição apresenta “Bardo Mestiço” em Manaus

Espetáculo gratuito sobre Mário de Andrade une teatro, memória e artistas amazônicos no Teatro Gebes Medeiros.

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Pascoal da Conceição ministrando oficina. (Foto: Divulgação/assessoria)

Manaus (AM) – O ator e diretor Pascoal da Conceição apresenta nesta terça-feira (11), às 19h, o espetáculo solo “Bardo Mestiço”, no Teatro Gebes Medeiros, na Avenida Eduardo Ribeiro, 937, Centro de Manaus. A entrada é gratuita e aberta ao público.

A apresentação encerra a programação da “Oficina-Espetáculo Macunaíma – 100 Anos”, realizada pelo artista entre os dias 4 e 10 de agosto. Participantes da formação também estarão no palco em uma cena criada coletivamente durante a oficina.

Dirigido por Creuza Borges e Pascoal da Conceição, “Bardo Mestiço” percorre a trajetória artística de Mário de Andrade a partir de poesia, memória, teatro e referências da cultura brasileira. O título remete ao próprio escritor, que se definiu como “bardo mestiço” no poema “Meditação sobre o Tietê”.

A montagem é resultado de mais de 30 anos de contato de Pascoal com a obra de Mário de Andrade. O ator conta que começou a interpretar textos do escritor em 1989 e que o espetáculo reúne parte dessa trajetória.

A história passa por diferentes momentos da vida e da produção de Mário de Andrade, começando pela crônica “Barata”, publicada em 1939, e seguindo por obras como “Pauliceia Desvairada” até chegar a “Macunaíma”, um dos principais trabalhos do escritor.

É nesse ponto que Pascoal incorpora o personagem Doutor Abobrinha, interpretado por ele no programa infantil “Castelo Rá-Tim-Bum”. A referência ao personagem é usada em uma aproximação bem-humorada com o universo de “Macunaíma”.

A apresentação termina com a participação dos integrantes da oficina, que encenam, ao lado do ator, o capítulo “Maioridade”, desenvolvido coletivamente durante a formação.

Segundo Pascoal, a oficina funcionou como espaço de criação e experimentação. O processo envolveu canto, figurino, coreografia e diferentes referências trazidas pelos artistas participantes.

“Eu moro em São Paulo, longe da floresta, longe da Amazônia. Me encontrar com artistas que estão no centro da Amazônia foi um aprendizado que me comove a cada dia. Aprendi demais com eles. É uma troca real. O espetáculo não seria o mesmo sem essa escuta e sem essa hospitalidade”, afirmou.

Diversidade

A montagem aproxima referências populares e eruditas e estabelece uma conexão entre diferentes regiões do país. Para Pascoal, a proposta dialoga com a própria diversidade presente em “Macunaíma”.

“O espetáculo é o encontro do erudito com o popular, do livro com a rua, do Sudeste com a Amazônia. É um Brasil mestiço, falado em cena por um ator que se considera aprendiz e que agora aprende com os artistas daqui”, disse.

A cenografia de “Bardo Mestiço” é minimalista, com poucos objetos e foco na atuação, na palavra e na imaginação do público. Elementos como livro, mesa e referências à cidade ajudam a marcar momentos da trajetória de Mário de Andrade.

A sonoplastia combina trilha original e sons ambientes, passando por referências à cidade de São Paulo e aos ritmos e cantos associados à Amazônia.

O processo também modificou a própria montagem, segundo o ator. “O maior desafio é abrir mão do controle”, afirmou Pascoal, ao destacar a participação da diretora e atriz Creuza Borges e as contribuições dos artistas amazonenses.

A cena de “Maioridade”, que será apresentada nesta terça-feira, foi criada a partir das ideias e experiências dos participantes da oficina. A montagem também incorporou novas formas de apresentar a obra de Mário de Andrade, incluindo um trecho falado em língua Tikuna.

“A cena da ‘Maioridade’ que vamos fazer no Gebes Medeiros não existia assim antes. Ela nasceu aqui, com as ideias, com a energia e com a presença do grupo da oficina. Descobrimos jeitos novos de dizer Mário, como um trecho que será falado em Tikuna”, afirmou.

(*) Com informações da assessoria

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