Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Cidades

Pesquisa aponta que quase 60% das mulheres se sentem desrespeitadas nas ruas do Amazonas

Estudo mostra que ruas, casas e transporte coletivo estão entre os locais de maior vulnerabilidade feminina.

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(Foto: Reprodução/Freepik)

Manaus (AM) – Uma pesquisa de opinião realizada pelo Observatório da Violência contra a Mulher no Amazonas revela que a maioria das mulheres no estado se sente desrespeitada em espaços públicos e privados.

Segundo o levantamento, 58,9% das entrevistadas afirmaram que se sentem menos respeitadas nas ruas, enquanto 39,9% relataram a mesma sensação dentro de casa.

Outros 30,7% apontaram o transporte coletivo como um ambiente de desrespeito, e 1,2% não souberam responder.

Os dados mostram que mulheres na faixa etária de 35 a 49 anos concentram os maiores índices de relatos de importunação e constrangimento.

Nesse grupo, 32,2% afirmaram já ter sido vítimas de importunação sexual ou constrangimento, sendo que 51,9% das entrevistadas pertencem a essa faixa etária.

O levantamento também indica que 53,1% das vítimas são casadas ou vivem em união estável, e a maioria se declara católica (46,7%).

Quando os dados são voltados especificamente ao transporte, 31,1% das mulheres disseram já ter sofrido importunação sexual ou constrangimento, enquanto 68,9% afirmaram nunca ter passado por esse tipo de situação.

Novamente, a maior incidência ocorre entre mulheres de 35 a 49 anos (32,7%), seguidas por aquelas com 50 anos ou mais (25,9%). Entre as vítimas, 52,3% são casadas ou moram junto, 46,3% são católicas e 42,3% evangélicas.

O estudo também identificou os meios de transporte onde as ocorrências são mais frequentes. O ônibus aparece como o principal local, citado por 68,4% das mulheres, seguido por mototáxi (13,7%) e embarcações (8,3%).

A menor incidência foi registrada em táxis (1,2%). Nesse contexto, a faixa etária de 35 a 49 anos permanece em destaque, com 34,5% dos relatos, além de 51,9% de mulheres casadas ou em união estável e 44,7% de religião evangélica.

Entre os tipos de importunação relatados, a “encoxada” lidera com 50,9%, seguida por passada de mão (31,5%), cantadas (21,1%) e masturbação (5,0%).

Apesar da gravidade dos casos, apenas 6,3% das mulheres registraram ocorrência formal, enquanto 51,1% afirmaram não ter considerado necessário denunciar.

Questionadas sobre o motivo de acreditarem que foram vítimas, 66,1% das entrevistadas apontaram o desrespeito às mulheres como a principal causa. Confira:

Machismo ainda marca o cotidiano das mulheres em Manaus, aponta pesquisa

O levantamento ainda revela que, embora a maioria da população de Manaus reconheça atitudes básicas de respeito, o machismo segue presente no dia a dia das mulheres na capital.

Segundo a pesquisa, 85% dos entrevistados acreditam que respeitar as mulheres significa não agredi-las fisicamente. Outros 45% associam o respeito a não tocar no corpo feminino sem consentimento, enquanto 35% apontam a divisão das tarefas domésticas como um comportamento essencial.

Apesar desse entendimento, os dados mostram uma percepção negativa sobre a forma como as mulheres são tratadas na cidade. Para 56,3% dos entrevistados, as mulheres não são respeitadas na maioria das vezes em Manaus, o que evidencia um contraste entre o discurso e a prática social.

A pesquisa também ouviu diretamente as manauaras sobre frases e ditados machistas mais comuns em seu cotidiano. Na nuvem de palavras elaborada a partir das respostas, expressões como “sou homem da casa”, “mulher tem que ser submissa ao homem” e “mando na mulher” aparecem com frequência, com destaque para a frase “eu que mando aqui”, apontada como uma das mais recorrentes.

Outras expressões igualmente presentes reforçam a desvalorização feminina, como “mulher no volante, perigo constante”, “mulher só serve para pilotar fogão” e “lugar de mulher é em casa” ou “na cozinha”. Além de termos de cunho sexual, como “gostosa”, que também aparecem com destaque, evidenciando a objetificação do corpo feminino.

Os dados reforçam que o machismo ainda se manifesta de forma explícita e naturalizada no cotidiano das mulheres em Manaus, seja por meio de frases aparentemente comuns ou de comportamentos que reforçam relações desiguais de poder.

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