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Pesquisador critica projetos de Amazonino, Braga, Omar e Melo para o interior

• Publicado em 31 de março de 2017 – 11:49
Charles Clement/Inpa
Clement: planos de diferentes governos que, na realidade são todos iguais/Inpa

“Não acredito que o desenvolvimento da Amazônia esteja indo no caminho apropriado”, assim se manifestou o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC) Charles Clement, durante palestra “Domesticação da floresta e subdesenvolvimento da Amazônia”, na 45ª Reunião do Grupo de Estudos Estratégicos Amazônicos (Geea) do Inpa. As informações foram publicadaso site do Inpa.

A história da domesticação da floresta seria o foco da palestra de Clement, baseado no artigo recentemente publicado na revista Science, que mostra a que floresta foi modificada pelos povos pré-colombianos, porém, o pesquisador recebeu o desafio do secretário-executivo do Geea, Geraldo Mendes, para falar sobre como a floresta domesticada cabe na história do desenvolvimento da Amazônia.

Geea é um grupo multidisciplinar de pessoas interessadas na Amazônia, no desenvolvimento sustentável da região e na promoção do ser humano. É formado por cientistas, professores, empresários, poetas. Religiosos e gestores que se reúnem a cada três meses para debater um temas previamente escolhido e apresentado por uma autoridade no assunto. O Geea está completando dez anos.

A `Nova matriz econômica-ambiental do Estado, nome do projeto do governador do Amazonas, José Melo (PROS) para o interior, também foi citada pelo pesquisador. Segundo ele, os governos sempre falaram que é preciso ter desenvolvimento no interior, porque todo o poder econômico está concentrado no Polo Incentivado de Manaus (PIM). Clement afirmo que o interior apresenta um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) baixo pelo simples fato de não possuir uma atividade econômica.

Para ele, o governo não sabe o que fazer, sendo muito mais fácil incentivar a agricultura e a fruticultura. O pesquisador também disse que há planos de diferentes governos que vêm com nova roupagem, mas na realidade são todos iguais, a exemplo do Terceiro Ciclo, de Amazonino Mendes, a Zona Franca Verde, de Eduardo Braga, a Amazônia Rural, de Omar Aziz, e agora a Nova Matriz Econômica Ambiental, de José Melo.

Tudo isso é falta de ideias e de investimento em Ciência e Tecnologia para o desenvolvimento e também falta de investimento em infraestrutura, que permita que esse desenvolvimento inovativo seja levado para o interior, que é muito caro e longe”, diz o pesquisador. “O sistema de transporte é capenga, o sistema de escoamento e armazenamento não existe e é preciso ser criado”, diz.

O pesquisador fez uma revisão da história do Brasil a partir da conquista europeia. Segundo o pesquisador, desde o início da influência portuguesa a Amazônia é uma colônia. “E isso não mudou até hoje, apesar da Independência do Brasil, apesar da “integração”  propagada durante era militar e que os governos atuais falam”, diz Clement. “Mas, que ainda somos colônia é muito claro”, destaco.

Como exemplo dessa condição de colônia, Clement citou o setor energético, que, segundo ele, é desenhado para aproveitar os recursos hidrícos da Amazônia para gerar energia elétrica e exportá-la para o sul do País. “Os paulistas ficam felizes em receber nossa energia elétrica. No futuro, eles também ficarão mais felizes quando construírem canais para levar água, porque sofrerão novamente uma estiagem”, afirmou.

Veja a matéria no site do Inpa:

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