Manaus, 6 de julho de 2026
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Brasil

Polêmica leva internautas a comparar campanha da Havaianas a 2014

Diferença de leitura entre os dois momentos evidencia o impacto da polarização sobre a publicidade.

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(Foto: Print Redes Sociais)

Manaus (AM) – A campanha de fim de ano da Havaianas, estrelada pela atriz Fernanda Torres, provocou uma intensa discussão nas redes sociais ao ser interpretada por parte do público como uma mensagem política velada.

No vídeo, a atriz afirma que não deseja que o público comece o próximo ano “com o pé direito”, expressão popularmente associada à sorte, defendendo a ideia de começar o ano com “os dois pés”, de forma intensa e sem hesitação.

A situação chamou atenção de políticos, influenciadores e usuários alinhados à direita que passaram a acusar a marca de adotar um suposto viés ideológico, interpretando a fala como uma provocação direcionada a eleitores conservadores.

A reação incluiu críticas à escolha da atriz, declaradamente alinhada à esquerda, e até chamadas para boicote à marca, com defesa do uso de sandálias concorrentes.

Diante da repercussão, internautas passaram a resgatar um antigo comercial da Havaianas exibido em 2014, ano marcado tanto pela Copa do Mundo no Brasil quanto pelas eleições presidenciais.

Na propaganda, o ex-jogador Romário aparece assistindo a uma partida usando apenas um chinelo. Questionado por um amigo, ele explica que o pé esquerdo “está com quem merece”, em referência à rivalidade histórica com a Argentina, ao “enviar” simbolicamente o outro pé ao ídolo argentino Diego Maradona, falecido em 2020.

À época, o comercial foi amplamente interpretado como uma provocação esportiva, sem gerar acusações de cunho político.

Usuários destacam que, mesmo sendo um ano eleitoral e com Romário já inserido na vida pública, ele foi eleito senador naquele mesmo pleito, o conteúdo não foi associado a ideologia ou posicionamento partidário.

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A comparação entre os dois momentos evidenciou, segundo comentários nas redes, uma mudança no clima social e na forma como campanhas publicitárias são recebidas.

Para alguns internautas, o que antes era visto como humor ou criatividade hoje se transforma rapidamente em motivo de hostilidade, impulsionado por reações imediatas e leituras políticas automáticas.

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A avaliação recorrente é de que o problema não estaria nas marcas ou nas campanhas em si, mas em um contexto marcado por menor disposição ao diálogo e maior dificuldade de interpretação.

Outros usuários ironizaram a situação, sugerindo que associações simbólicas simples, como direita e esquerda, passaram a ser politizadas de forma excessiva. Apontaram que, em 2014, o ambiente político era menos polarizado, lembrando inclusive que partidos hoje associados a campos opostos estiveram, naquele período, no mesmo conjunto de alianças eleitorais.

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A Havaianas ainda não se manifestou oficialmente sobre a polêmica. O vídeo da campanha foi publicado na quinta-feira (18) no perfil oficial da marca no Instagram e segue gerando debate sobre os limites entre publicidade, interpretação simbólica e política em um ambiente cada vez mais polarizado.

A polêmica também repercutiu muito meio político. O vereador Zé Ricardo (PT) criticou a reação de setores da direita à campanha da Havaianas e afirmou que o foco em uma propaganda contrasta com a falta de propostas para o país.

Segundo ele, no Amazonas, há parlamentares mais preocupados com o comercial do que com políticas públicas para enfrentar os problemas do estado e de Manaus.

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Confira o vídeo da Propaganda de 2024:

 

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