Bolsonaro tem “agenda da morte” para a Amazônia, afirma pesquisador do Inpa

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Bolsonaro tem ‘agenda da morte’ para a Amazônia, afirma pesquisador do Inpa

Declaração foi feita em palestra na manhã desta sexta-feira, 29, no segundo dia de visita ao Amazonas do vice-presidente nacional do PDT, Ciro Gomes.

(Carlos Bolívar / Amazonas1)

‘O presidente Jair Bolsonaro manipula informações e coloca a opinião pública contra os pesquisadores e a comunidade científica, além de ter uma agenda da morte para a Amazônia’. Essa foi a essência da palestra do doutorando em Ecologia do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Lucas Ferrante, proferida na manhã desta sexta-feira, 29, no segundo dia de visita ao Amazonas do vice-presidente nacional do Partido Democrático Trabalhista (PDT), Ciro Gomes.

Ferrante refutou as declarações de Bolsonaro ditas na última quarta-feira, 27, durante a abertura da Feira de Sustentabilidade do Polo Industrial de Manaus (fesPIM), de que o país possui unidades de conservação demais e deve abrir as terras indígenas, e da Amazônia, para a exploração de pedras preciosas, mineração, e no Amazonas, especificamente, permitir a plantação de cana de açúcar.

“Proporcionalmente, em relação à sua área, o Brasil é um dos menores em unidades de conservação na América do Sul. Essa manipulação de dados insiste em empurrar uma inverdade de que precisamos converter nossas unidades de conservação em áreas de mineração, agricultura e outras atividades extremamente nocivas para a Amazônia. O que não é verdade”, disse Ferrante.

Ciro Gomes participou de uma palestra com servidores do INPA – Foto: Carlos Bolívar

O jovem pesquisador afirma que é preciso desenvolver a Amazônia a partir da de sua própria geografia. “E não querer forçar um modelo desenvolvimentista que não se enquadre na região”, afirmou.

Ferrante mostrou um estudo publicado por ele e o pesquisador Philip Fearnside, no ano passado, já alertando que a plantação de cana de açúcar na Amazônia irá colocar em colapso a agricultura do Brasil.

“A cana de açúcar vai incentivar mais ainda o desmatamento direta e indiretamente. Além disso, sabemos que a quantidade de empregos que isso gera, por ser um cultivo mecanizado, é muito baixo. Portanto é algo que não desenvolve em nada a economia do país”, afirmou Ferrante.

BR-319

Para o pesquisador do Inpa o asfaltamento da BR-319 anunciada pelo superintendente da Suframa, Cel. Alfredo Menezes, para o início de 2021, irá acelerar ainda mais o desmatamento no Sul do Amazonas.

“Há um estudo do Inpa junto ao Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (IDESAM) e que mostra que no espaço onde está a BR-319 o desmatamento crescerá 1600% até o ano de 2100. E vai impactar diretamente 53 terras indígenas e nenhum desses povos está sendo consultado sobre isso”, alertou Ferrante.

Agenda da morte

Ao final o pesquisador afirmou que a intenção do governo Bolsonaro em extinguir ou alterar unidades de conservação, ampliar grandes obras sem estudo de impacto ambiental, flexibilizar o licenciamento ambiental, enfraquecer as agências ambientais e reguladoras e permitir o uso de pesticidas, caminha para asfixiar a Amazônia.

“O aumento de 123% das queimadas no último ano é o resultado de todo esse desmantelamento ambiental que temos visto nesse governo. A Amazônia está deixando de ser Amazônia e caminha para o seu limite. A Amazônia está virando uma Savana”, disse o pesquisador.

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