(Foto: Reprodução/Redes Sociais)
Manaus (AM) – Em meio ao contexto de incertezas e a diminuição de espaço do PT (Partido dos Trabalhadores) no Congresso Nacional, o PSB (Partido Socialista Brasileiro) tenta se mostrar como alternativa viável para a esquerda em 2026.
O partido se destacou ao eleger mais prefeitos do que o PT nas últimas eleições municipais, com 311 prefeitos e 3.593 vereadores eleitos, em comparação aos 248 prefeitos e 3.130 vereadores do PT.
Com isso, o PSB considera que a eventual saída de Lula da cena política deixará um vácuo de representatividade que pode ser explorado. Nomes como o prefeito do Recife, João Campos, e a deputada Tabata Amaral estão sendo vistos como potenciais líderes capazes de assumir essa lacuna.
Com o horizonte político se expandindo, a esquerda brasileira se vê diante da urgência de reestruturar sua estratégia para não apenas sobreviver, mas prosperar em um ambiente no qual as alianças e a renovação de lideranças serão cruciais para a manutenção de sua relevância no cenário nacional.
Segundo avaliação do cientista político Guilherme Soares, a junção PT e PSB não é novidade, entretanto, para 2026, a aliança deve considerar o apoio do centrão, definição dada ao grupo de congressistas de diferentes partidos, que, juntos, buscam maior influência no Congresso Nacional.
“A verdade é que a junção entre PT e PSB não é algo novo, é algo que já acontece em alguns outros ciclos eleitorais e pode ser muito bem repetida sem parar em 2026, levando em consideração que o presidente Lula vai precisar continuar com uma proposta de coalizão, uma proposta de governo cada vez mais abrangente para tentar sua reeleição. Então, a gente precisa lembrar que Lula tem um grande elemento que não teve nas outras vezes em que foi eleito, no primeiro e segundo mandato, que é o centrão. O centrão, agora, hoje em dia, tem uma autonomia muito maior, então ele acaba virando um terceiro elemento, digamos assim, onde ele apenas trabalha para vender o próprio apoio mais para frente, após as eleições”, disse em entrevista ao Portal AM1.
O especialista destaca que um dos desafios para a esquerda é o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, sigla com “entrada muito grande dentro dos estados”. Segundo Soares, o PL tem aproveitamento maior do que o PT, embora ele destaque que a representação do presidente Lula seja maior do que do Partido dos Trabalhadores.
O profissional acrescenta que o cenário presidencial de 2026 será um pouco mais polarizado, por conta de uma possível candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como o candidato da direita, enquanto Lula deve tentar uma reeleição pela esquerda.
Guilherme Soares avalia que o PT enfrenta uma desestruturação desde 2026, período do impeachment de Dilma Rousseff e, desde então, busca por uma ascensão no cenário político nacional.
“Então, isso faz com que a máquina eleitoral da direita, hoje, esteja um pouco mais organizada, ela seja um pouco mais autônoma, enquanto o PT vai precisar se reestruturar, algo que ainda não aconteceu por completo, até mesmo desde a crise de 2013, 2014, quando a gente teve ali o segundo governo Dilma, em 2016, quando ela foi retirada. Então, desde esse período, o PT ainda tenta se reestabelecer na política nacional. Não só o PT como toda a esquerda”, acrescentou.
Dessa forma, a união entre PT e PSB pode ser, sim, uma possibilidade de recuperar a imagem da esquerda, segundo ponderação de Soares, entretanto, deve-se avaliar as possíveis futuras disputas em 2026, principalmente pela direita ser “estabilizada” na figura do ex-presidente Bolsonaro, e a esquerda estar “centralizada” na imagem de Lula, o que evita a “dissipação” de poder.
PT x PL
Com as eleições de 2026 se aproximando, o cenário político para a esquerda brasileira se mostra cada vez mais desafiador. Segundo a CNN Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi alertado sobre as dificuldades que a base aliada enfrentará nas próximas disputas legislativas.
Embora Lula tenha vencido em 2022, o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, já se consolidou como a maior bancada na Câmara dos Deputados, em 2023, colocando em xeque a hegemonia do PT.
Diante desse cenário, Lula está sendo aconselhado, conforme os bastidores, a apoiar candidaturas de esquerda e de centro em cada unidade da federação, uma estratégia que poderia garantir pelo menos um senador aliado por estado.
Além disso, o presidente é orientado a buscar alianças com partidos como MDB, PSD e União Brasil, que, apesar de serem centristas, integram a atual base governista.
A necessidade de novas articulações se torna ainda mais evidente considerando que as eleições de 2026 permitirão a renovação de dois terços do Senado. O PL já planeja lançar figuras influentes como Flávio, Eduardo e Michelle Bolsonaro, enquanto trabalha para contornar a inelegibilidade de Bolsonaro.
O foco, segundo analistas, será garantir uma senadora que possa fortalecer a posição do partido no Legislativo e na luta contra decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).
Aliança no Amazonas
“Historicamente, a direita sempre governou. Os parlamentos municipais são sempre muito à direita, no máximo chegando a centro-direita. Mas, historicamente, os partidos de esquerda sempre foram minoritários nos parlamentos, mesmo quando foram prefeitos, por exemplo. Em São Paulo, a Luísa Elendina, a Marta Suplicy e a [Fernado] Haddad, eles não tiveram maioria fácil no parlamento”, comentou em entrevista ao Portal AM1.
Entretanto, quando a conjuntura envolve os quadros locais, Nascimento afirma que a dinâmica em Manaus e no Amazonas não se alinha ao que pede a esquerda e o PT em âmbito nacional.
“O PT tem uma figura como o Sinésio Campos, que é absolutamente desconectado de qualquer lógica do Partido dos Trabalhadores, mas ele é um deputado estadual, ele entendeu o funcionamento da máquina estadual, ele é um deputado governista, sempre foi, então ele faz favores para os governadores de ocasião e, em troca, tem o pagamento. E esse pagamento é político, partidário, com favores, indicação de nomes para cargos públicos, etc. Isso faz com que o Sinésio arraste o PT para posições muito delicadas”, argumenta.
Segundo o sociólogo, por muito pouco, Campos deixaria o PT sem candidatura a prefeito em Manaus. Ele acrescenta que foi o presidente Lula quem, pessoalmente, interferiu dentro do PT Amazonas, ao convidar Marcelo Ramos para disputar a eleição municipal deste ano.
Além de deputado estadual, Sinésio Campos é presidente estadual do PT no Amazonas e, atualmente, enfrenta um pedido de afastamento feito pela executiva municipal do Partido dos Trabalhadores aprovado, por maioria dos votos, no último dia 10 de outubro.
Na justificativa, os correligionários solicitaram à junta nacional o afastamento no período das investigações sobre um possível crime eleitoral envolvendo apreensão de R$ 20 mil pela Polícia Federal (PF) com uma assessora do deputado em Manaus dias antes da votação do primeiro turno. Na ocasião, Campos assumiu a origem do dinheiro.
Entre outros desentendimentos, o presidente do partido no Amazonas frustrou aliados ao apoiar a candidatura de Mário Ibrahim (Republicanos) em Itacoatiara, o que fez com que candidatos ao cargo de vereador no município desistissem da disputa, e em Manuas, ele não chegou a comparecer à própria convenção da Federação Brasil da Esperança (Fe Brasil), que lançou a candidatura de Marcelo Ramos para prefeito de Manaus, em 4 de agosto.
Outro detalhe é que, nas últimas eleições, Sinésio apoiou publicamente o candidato a prefeito Roberto Cidade (União Brasil), indicado pelo governador Wilson Lima, do mesmo partido, na disputa pela Prefeitura de Manaus, que ficou em quarto lugar após resultado do primeiro turno de 6 de outubro, enquanto Ramos chegou à quinta colocação.
“As disputas locais tendem a ser mitigadas ou não, a depender da conjuntura nacional e isso refletiu na ausência da turma do Sinésio, presidente da estadual, que não fez nenhum esforço, absolutamente nenhum esforço, na construção da candidatura do Marcelo Ramos, do Partido dos Trabalhadores. Agora, há um desgaste ainda maior do Sinésio em relação a isso, há pressões para que o Sinésio saia do PT e a saída do Sinésio do PT pode significar um avanço importante na reconstrução da esquerda no Norte, aqui na Amazônia, em especial”, acrescenta o especialista.
Luiz Antonio também destacou ao Portal AM1 que há um elemento que ainda não está na pauta, mas que deverá ser discutido futuramente e que deve fazer a diferença ao PT: o peso do acordo de continuidade da federação do qual o partido faz parte.
“A gente precisa lembrar que, agora, está chegando ao final, o ano que vem, o acordo fechado que levou à criação das federações, no caso do PT, PCdoB e PV. Em regra, o que eu tenho ouvido dos petistas, aqui no Amazonas e fora, é que a federação não ajudou em nada o PT, pelo contrário, criou problemas, e criou, inclusive, discrepâncias do ponto de vista do protagonismo do Partido dos Trabalhadores, etc. Eu não sei como vai ser isso na esfera nacional, mas haverá uma pressão grande sobre o PT para romper o acordo feito na federação”, adiantou o estudioso.
PT e PSB Amazonas
O cenário se mostrou ainda mais contraditório para o PT em Manaus, que tentou emplacar uma frente ampla nas eleições municipais de 2024, com discurso de ajuntamento pregado por Marcelo Ramos, quando, além de não poder contar com o apoio do próprio presidente estadual do partido, a legenda se viu sem o PSB, sigla que seria de muita relevância no palanque do PT, principalmente, por conta do alinhamento nacional que o PSB possui com Lula.
No Amazonas, o PSB é presidido pelo ex-deputado estadual Serafim Corrêa, hoje secretário do governo estadual que, inclusive, apoiou o representante do União Brasil, Roberto Cidade, ao cargo de prefeito.
Ramos chegou a criticar publicamente Corrêa e disse que se tratou de um “constrangimento” para o presidente do PSB não ter apoiado a esquerda em Manaus.
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