Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Brasil

Dragagem no rio Tapajós leva indígenas a fechar aeroporto em Santarém

Povos indígenas afirmam que decreto federal ignora direitos territoriais e pode causar danos irreversíveis ao rio.

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(Foto: Divulgação /Redes Sociais)

Manaus (AM) – A entrada do Aeroporto Internacional Maestro Wilson Fonseca, em Santarém, oeste do Pará, foi fechada nesta semana por povos indígenas do Baixo Tapajós. O ato integra uma mobilização contra o Decreto nº 12.600/2025, que autoriza intervenções no rio Tapajós, incluindo a dragagem do leito do rio. A manifestação reúne mais de 800 indígenas e faz parte de uma ocupação que já dura 14 dias.

De acordo com as lideranças indígenas, o decreto traz graves riscos socioambientais e ameaça diretamente os territórios tradicionais, a autonomia das comunidades e seus modos de vida. A principal preocupação está relacionada aos impactos da dragagem prevista para o rio Tapajós, considerada estratégica para o escoamento de cargas, mas vista pelos povos indígenas como uma ação que pode provocar danos irreversíveis ao ecossistema e às populações que dependem do rio.

Os manifestantes afirmam que não houve consulta prévia, livre e informada às comunidades indígenas, como determina a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é signatário. Segundo eles, a ausência de diálogo agrava o conflito e desrespeita direitos historicamente conquistados.

Durante o protesto, o acesso ao aeroporto foi bloqueado como forma de pressionar o governo federal a revogar integralmente o decreto. As lideranças informaram que a liberação do local só ocorrerá após a anulação total da norma. Passageiros e funcionários foram orientados sobre a situação, e a mobilização segue de forma pacífica.

A ocupação no Baixo Tapajós tem mobilizado diferentes povos indígenas da região e ganhou apoio de organizações socioambientais. Os manifestantes defendem que o desenvolvimento econômico não pode avançar sobre territórios tradicionais sem garantias de proteção ambiental e respeito aos direitos indígenas.

Até o momento, o governo federal não se pronunciou oficialmente sobre a possibilidade de revogação do decreto. Enquanto isso, os povos indígenas mantêm a mobilização e afirmam que seguirão em resistência até que suas reivindicações sejam atendidas.

Confira o vídeo:

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