Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Cidades

Promessas ao vento: muro de arrimo em Parintins continua sendo apenas discurso político

Parte da Rua Caetano Prestes, um dos principais locais turísticos de Parintins, foi interditada nesta quarta-feira (25) após o Portal AM1 conversar com moradores da área que temem risco de desabamento.

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Parintins (AM) — Há mais de três décadas, a aposentada Esther Cohen, de 65 anos, moradora da Rua Caetano Prestes há 30 anos, acompanha de perto a degradação da área ribeirinha onde vive. Um problema específico a incomoda há anos: o descaso com a estrutura do muro de arrimo, prometido por diversas gestões, mas jamais concretizado.

“Desde 2012, na época do Omar Aziz (PSD) como governador, prometeram. De lá pra cá, nada mudou. Só conversa política”, lamenta Esther. A escada flutuante que existia no local já não resiste às investidas dos barcos, e o muro, de acordo com ela, foi parcialmente destruído após sucessivos impactos. “Batiam os barcos aqui e destruíram tudo. O prefeito atual [Mateus Assayag] até tentou fazer algo, mas só jogou areia. Não colocou concreto nem estrutura firme. Vai desarmar tudo de novo”, alerta.

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Moradora expõe que Prefeitura apenas jogou areia para conter erosão do muro da orla da cidade de Parintins (Foto: Isac Sharlon/Portal AM1)

Além do risco iminente de erosão e danos estruturais às casas da redondeza — incluindo o terreno onde antes existia a casa da vizinha dona Maria Angela, já demolida por segurança —, Esther teme pela sua própria moradia: “Está bem próximo de atingir a nossa estrutura.”

A denúncia reflete uma queixa recorrente dos moradores ribeirinhos de Parintins: a falta de compromisso contínuo do poder público com infraestrutura básica. Mesmo com a movimentação turística do Festival de Parintins e com a pressão da comunidade, a proteção da margem fluvial segue precária.

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À tarde, após visita do Portal AM1, a Defesa Civil interditou parte da rua Caetano Prestes (Foto: Isac Sharlon/Portal AM1)

Após a passagem da equipe do Portal AM1 pelo local e conversas com moradores da frente da cidade, a Defesa Civil foi acionada e compareceu à área, na tarde desta quarta, instalando placas de advertência com os dizeres: “Área de risco, sujeita a deslizamento. Evite permanecer no local”. A sinalização oficial reforça a gravidade da situação e a omissão histórica do poder público.

Mais cedo, pela manhã, homens a serviço da prefeitura maquiavam o espaço com pinturas no chão e na lateral do muro.

Esther, que paga impostos e até aluga espaço durante o festival, cobra mais do que promessas: “Pagamos caro para estar aqui. É nosso lar. Só queremos respeito e segurança.”

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(Foto: Isac Sharlon/Portal AM1)

O que diz a Prefeitura?

O Portal AM1 procurou a Prefeitura de Manaus e questionou se é de conhecimento do prefeito que foram jogadas apenas área para conter a erosão das terras do muro de arrimo, quais os prazos para a realização e conclusão de uma nova obra no espaço e se a prefeitura tem projeto pronto e orçamento previsto para resolver o problema estrutural da orla? A reportagem aguarda um posicionamento.

Licitação suspensa por irregularidades

O TCU identificou indícios de irregularidades graves na licitação para a obra do muro de arrimo em Parintins, orçada em R$ 67 milhões, e suspendeu os recursos federais. A obra, que visa conter erosão e prevenir desastres na orla, contava com R$ 60 milhões do governo federal e R$ 7 milhões da prefeitura.

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(Foto: Isac Sharlon/Portal AM1)

Segundo o relator Jhonatan de Jesus, o projeto básico era incompleto, havia sobrepreço, falhas técnicas e cronograma frágil. Embora já tenham sido liberados R$ 12 milhões, a medida cautelar visa evitar desperdício e inexecução. A prefeitura não apresentou esclarecimentos satisfatórios ao TCU, que integra uma lista de 17 obras com suspeita de irregularidades.

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