Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Cidades

Protesto em Manaus cobra políticas públicas diante da escalada de feminicídios

O protesto, marcado por cartazes e faixas que exigiam justiça e proteção às mulheres, integrou o movimento nacional “Levante Mulheres Vivas”.

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(Foto: Ramillys Batista/Portal AM1)

Manaus (AM) – Centenas de manifestantes se reuniram, no domingo (7), na Praça do Congresso, no Centro de Manaus, em um ato contra o aumento de feminicídios no país. O protesto, marcado por cartazes e faixas que exigiam justiça e proteção às mulheres, integrou o movimento nacional “Levante Mulheres Vivas”, que ocupou ruas de mais de 20 estados e do Distrito Federal ao longo do fim de semana.

A mobilização ocorre após uma série de feminicídios recentes que chocaram o país e acenderam o alerta para a necessidade de políticas públicas mais eficazes. Somente em 2024, 1.459 mulheres foram mortas por razão de gênero no Brasil — uma média de quatro vítimas por dia. Em 2025, mais de 1.180 casos já foram registrados.

A deputada estadual Alessandra Campelo, presidente da Comissão da Mulher da Aleam, destacou que combater o feminicídio exige ações muito além da segurança pública. Segundo ela, romper ciclos de violência depende de condições básicas que ainda não chegam às mulheres brasileiras. A parlamentar ressaltou que a falta de apoio estrutural empurra vítimas de volta para ambientes inseguros.

“A mulher, pra sair de um relacionamento abusivo, muitas vezes precisa de apoio psicossocial, emprego, renda e creche. Não ter creche é uma violência contra a mulher”, afirmou. Para a deputada, a impunidade é um dos motores da violência: “Hoje, as mulheres é que têm medo, e os agressores estão pelas ruas. As condenadas somos nós”.

A presidente da União Brasileira de Mulheres no Amazonas, Eriana Azevedo, reforçou que o ato integra um movimento nacional por visibilidade e ação governamental diante da escalada de mortes. Ela lembrou que os números do Norte do país estão entre os piores do Brasil.

“Nós não podemos permitir que as mulheres continuem morrendo por serem mulheres”, disse. Ela destacou ainda que o Amazonas ocupa o segundo lugar no ranking nacional de feminicídios proporcionalmente à população. “É preciso seguir nas ruas exigindo políticas públicas de verdade, começando pela educação e pela formação de uma nova sociedade”, completou.

O ato também contou com a presença do vereador Zé Ricardo, que apontou a precariedade da rede de atendimento às vítimas no estado. Ele falou sobre falhas estruturais nas instituições especializadas e na capacidade do Estado de responder às denúncias.

“No interior, não há atendimento especializado para mulheres vítimas de violência, e em Manaus é insuficiente”, afirmou. Para ele, não há avanço possível sem ampliação de recursos, acolhimento e agilidade nos processos judiciais. “A classe política precisa ser mais cobrada. É preciso que o Poder Público faça melhor a sua parte”, destacou.

Violência em alta no Amazonas

Segundo o Mapa da Segurança Pública, o Amazonas registrou um dos maiores aumentos porcentuais de feminicídio do país em 2024, com alta de 30,43% em relação ao ano anterior. Manaus aparece entre as capitais com mais casos: 16 mulheres foram mortas no período. O estado ocupa a quarta posição entre os que mais aumentaram esse tipo de crime.

Enquanto algumas regiões apresentaram queda significativa — como Amapá (-50%) e Sergipe (-37,5%) —, o Amazonas segue na contramão, junto de estados como Piauí (42,86%) e Maranhão (38%).

Ondas recentes de feminicídios intensificaram protestos

O chamado nacional aos atos foi impulsionado por uma sequência de crimes brutais. Entre eles, o caso de Tainara Souza Santos, atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro pelo ex-companheiro, em novembro. Também houve o assassinato de duas funcionárias do Cefet-RJ por um colega de trabalho, que depois tirou a própria vida, e o feminicídio da cabo do Exército Maria de Lourdes Freire Matos, encontrada carbonizada em Brasília após ter sido morta pelo namorado.

De acordo com o Mapa Nacional da Violência de Gênero, 3,7 milhões de mulheres sofreram algum tipo de violência doméstica nos últimos 12 meses no país.

*Colaborou Ramillys Batista

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