Durante declaração pública, o parlamentar argumentou que a ampliação do tempo livre poderia trazer consequências sociais negativas, especialmente para trabalhadores de baixa renda.
“Ócio demais faz mal. O povo não tem dinheiro, infelizmente. Vai ficar mais exposto a drogas, a jogos de azar”, afirmou.
Em outro momento, questionou:
“Qual é o lazer de um pobre numa comunidade? O que ele vai fazer lá na folga?”
As falas repercutiram nas redes sociais e entre representantes de centrais sindicais, que classificaram o discurso como estigmatizante ao associar descanso a vulnerabilidade social. Para críticos da posição do deputado, a argumentação desconsidera que o tempo livre é utilizado majoritariamente para convívio familiar, repouso físico, atividades religiosas e participação comunitária.
Debate trabalhista
A PEC em discussão no Congresso Nacional busca alterar a lógica da jornada predominante em setores como comércio e serviços, onde a escala 6×1 é amplamente aplicada. Defensores da proposta sustentam que a mudança pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, reduzir afastamentos por problemas de saúde e equilibrar a relação entre trabalho e vida pessoal.
Já representantes empresariais argumentam que o fim da escala elevaria custos operacionais e impactaria a competitividade, especialmente em segmentos que dependem de funcionamento contínuo.
Ao criticar a proposta, o presidente do Republicanos alinhou-se a esse segundo grupo, afirmando que a alteração poderia prejudicar a economia. A menção ao risco de envolvimento com drogas e jogos de azar, no entanto, ampliou o debate para além da esfera econômica.
Repercussão política
A declaração também gerou questionamentos sobre a coerência entre o discurso político e os princípios religiosos frequentemente defendidos pelo parlamentar, que construiu parte de sua trajetória pública com base em valores cristãos e familiares.
Analistas avaliam que a discussão sobre a escala 6×1 tende a ganhar contornos ideológicos nas próximas semanas, à medida que a proposta avance nas comissões da Câmara. O tema mobiliza sindicatos, entidades patronais e lideranças políticas, e deve enfrentar forte polarização antes de eventual votação em plenário.
Enquanto o texto não entra na pauta oficial, o embate revela que o debate sobre jornada de trabalho no Brasil permanece atravessado por visões distintas sobre produtividade, direitos sociais e o papel do Estado na regulação das relações trabalhistas.