Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Política

‘Qual é o lazer de um pobre?’, diz deputado e bispo da Igreja Universal ao criticar o fim da escala 6×1

Declaração do presidente do Republicanos, Marcos Pereira, gera críticas por sugerir que trabalhadores de baixa renda não saberiam lidar com o próprio tempo livre.

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(Foto: Zeca Ribeiro /Câmara dos Deputados)

Manaus (AM) – O deputado federal Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos (SP) e bispo da Igreja Universal, manifestou-se contra a proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, modelo em que o empregado trabalha seis dias consecutivos para ter direito a um de descanso.

Durante declaração pública, o parlamentar argumentou que a ampliação do tempo livre poderia trazer consequências sociais negativas, especialmente para trabalhadores de baixa renda.

“Ócio demais faz mal. O povo não tem dinheiro, infelizmente. Vai ficar mais exposto a drogas, a jogos de azar”, afirmou.

Em outro momento, questionou:

“Qual é o lazer de um pobre numa comunidade? O que ele vai fazer lá na folga?”

As falas repercutiram nas redes sociais e entre representantes de centrais sindicais, que classificaram o discurso como estigmatizante ao associar descanso a vulnerabilidade social. Para críticos da posição do deputado, a argumentação desconsidera que o tempo livre é utilizado majoritariamente para convívio familiar, repouso físico, atividades religiosas e participação comunitária.

Debate trabalhista

A PEC em discussão no Congresso Nacional busca alterar a lógica da jornada predominante em setores como comércio e serviços, onde a escala 6×1 é amplamente aplicada. Defensores da proposta sustentam que a mudança pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, reduzir afastamentos por problemas de saúde e equilibrar a relação entre trabalho e vida pessoal.

Já representantes empresariais argumentam que o fim da escala elevaria custos operacionais e impactaria a competitividade, especialmente em segmentos que dependem de funcionamento contínuo.

Ao criticar a proposta, o presidente do Republicanos alinhou-se a esse segundo grupo, afirmando que a alteração poderia prejudicar a economia. A menção ao risco de envolvimento com drogas e jogos de azar, no entanto, ampliou o debate para além da esfera econômica.

Repercussão política

A declaração também gerou questionamentos sobre a coerência entre o discurso político e os princípios religiosos frequentemente defendidos pelo parlamentar, que construiu parte de sua trajetória pública com base em valores cristãos e familiares.

Analistas avaliam que a discussão sobre a escala 6×1 tende a ganhar contornos ideológicos nas próximas semanas, à medida que a proposta avance nas comissões da Câmara. O tema mobiliza sindicatos, entidades patronais e lideranças políticas, e deve enfrentar forte polarização antes de eventual votação em plenário.

Enquanto o texto não entra na pauta oficial, o embate revela que o debate sobre jornada de trabalho no Brasil permanece atravessado por visões distintas sobre produtividade, direitos sociais e o papel do Estado na regulação das relações trabalhistas.