Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Cenário

Raiff Matos: o homem de R$ 119 mil que se incomoda com R$ 600 do Bolsa Família

Com gabinete milionário e vivendo às custas do eleitor, vereador diz que Bolsa Família ‘mantém o povo sem saída’.

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Vereador Raiff Matos ainda não assinou 'CPI do Empréstimo' na CMM (Foto: Ney Fábio/Assessoria)

Manaus (AM) – Com o salário bruto de R$ 26 mil, a Cota para Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP) de R$ 33 mil e os R$ 60 mil disponíveis para verba de gabinete, o vereador Raiff Matos (PL) critica o programa Bolsa Família em suas redes sociais.

Sua cadeira custa aos cofres públicos R$ 119 mil mensalmente, R$ 1,4 milhão anualmente e R$ 5,7 milhões durante os quatro anos de mandato. Reeleito nas Eleições Municipais de 2024, o vereador Raiff Matos resolveu usar suas redes sociais para inflamar críticas ao programa Bolsa Família.

O programa é um dos maiores destaques de transferência de renda do Brasil, reconhecido internacionalmente por já ter tirado milhões de famílias da fome. O valor mínimo do benefício é de R$ 600, mas, com os novos adicionais, o valor médio sobe para R$ 683,42, segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).

Vale destacar que, em cálculos simples, R$ 600, que é o valor mínimo do benefício, representa 0,50% do que cada vereador da Câmara Municipal de Manaus recebe mensalmente para exercer suas atividades parlamentares, incluindo o vereador Raiff Matos.

‘Cotão’

Somente com a Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP), o famoso “Cotão”, o vereador já utilizou R$ 296 mil do valor disponível entre os meses de janeiro e setembro de 2025.

Desse valor, R$ 138 mil foram dedicados a gastos com combustível durante o período. O restante foi dividido entre assessoria jurídica, divulgação da atividade parlamentar, locação de veículo e telefonia móvel.

Novamente utilizando a matemática básica, para uma pessoa que recebe R$ 600, valor mínimo do Bolsa Família, alcançar o quantitativo de R$ 296 mil demoraria cerca de 494 meses, somente com o benefício.

Repercussão

A declaração de Raiff Matos repercutiu nas redes sociais. Em sua postagem, o vereador faz críticas ao programa. Ele afirma que o programa “não é sobre ajudar, é sobre manter o povo sem saída”, sugerindo que o programa social do governo federal cria dependência em vez de promover oportunidades reais.

“Ajudar é importante. Mas transformar em dependência é injustiça. Um país só cresce quando o povo tem oportunidade, não esmola”, escreveu na postagem.

https://www.instagram.com/p/DQ7r2DDAYyn/

Apesar de, na maioria das vezes, encontrar apoio uníssono nos comentários de suas redes sociais, desta vez Raiff Matos se deparou com críticas. “Enquanto critica o auxílio aos pobres, Raiff recebe todo mês R$ 33 mil de cota parlamentar. Dinheiro público que pode ser usado como ele bem quiser”, disse um internauta. Outro questionou: “Vereador, qual seu projeto para que a população da cidade de Manaus seja mais independente e não precise tanto de auxílio federal ou estadual?”

Na postagem, um internauta insinuou que Raiff Matos gostaria de “acabar” com o programa social. No entanto, o vereador, utilizando seu perfil oficial, respondeu afirmando que “ninguém quer acabar com ajuda para quem precisa; o que se defende é que o auxílio seja temporário e transformador”.

Em um passado não tão distante, Raiff era levantador de toadas de boi bumbá, se apresentava em eventos bovinos na capital amazonense e em municípios do interior e fazia parte da classe artística que sobrevive desamparada pelo poder público. O vereador talvez não tenha recebido o auxílio do Bolsa Família, mas com certeza esqueceu suas raízes e dos colegas que enfrentam dificuldades para quem tenta sobreviver da arte.

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