Manaus, 6 de julho de 2026
×
Manaus, 6 de julho de 2026

Cenário

Redução no IPVA transfere desafio fiscal ao próximo governador do AM

Embora a medida tenha impacto direto no bolso dos contribuintes, o desafio da queda de arrecadação deverá recair sobre o próximo governador.

(Foto: Reprodução/Redes Sociais Instagram @omaraziz.senador @mariadocarmoseffair @tadeudesouza)

Manaus (AM) – A cerca de 54 semanas das Eleições Gerais de 2026, o governador do Amazonas, Wilson Lima (União Brasil), encaminhou à Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) uma Mensagem Governamental que propõe reduzir em 50% a alíquota do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) no estado. Embora a medida tenha impacto direto no bolso dos contribuintes, o desafio da queda de arrecadação deverá recair sobre o próximo governador.

Nesse contexto, a responsabilidade de lidar com a diminuição da receita surge porque o texto, caso aprovado e sancionado, passará a valer já em 2026, justamente no ano eleitoral. Vale lembrar que Wilson Lima não poderá disputar a reeleição ao governo, por já estar no segundo mandato. No entanto, aliados cogitam que ele poderá buscar outro cargo eletivo.

Entre os possíveis cenários para Wilson, estão a candidatura ao Senado ou à Câmara dos Deputados, como apontam interlocutores próximos. Há também a possibilidade de concluir o mandato sem concorrer, hipótese considerada menos provável nos bastidores políticos.

Enquanto isso, dois nomes já anunciaram pré-candidatura ao governo do Amazonas: a professora Maria do Carmo (PL) e o senador Omar Aziz (PSD). Wilson tem evitado tratar de sua própria sucessão, afirmando que o debate é precoce e poderia interferir na condução de sua gestão.

IPVA e eleições

A proposta de redução do IPVA insere-se nesse ambiente. Caso aprovada, caberá a Maria do Carmo ou Omar Aziz, se eleitos, administrar os efeitos da queda na arrecadação. Assim, a medida pode alterar o cenário fiscal do estado e influenciar a disputa política em 2026.

Para o cientista político Luiz Marques, o Amazonas atravessa um momento “relativamente confortável” em suas finanças, impulsionado pelo Polo Industrial de Manaus. Ele questiona o real impacto da redução.

“O curioso é que o Amazonas, ao contrário de muitos estados, atravessa um momento relativamente confortável em suas finanças, graças ao seu Polo Industrial. Então, qual seria o verdadeiro custo da redução do IPVA em um cenário economicamente estável? Provavelmente, muito baixo — ao menos para quem vê a política como um jogo de xadrez eleitoral”, afirmou ao Portal AM1.

Marques também chamou atenção para o caráter repentino da proposta. “De uma hora para outra o governador abre mão de 50% do IPVA, se até ontem não demonstrava qualquer disposição em abrir mão dessa arrecadação. Mudou de ideia de repente? Ou seria essa mudança uma jogada ensaiada, típica de quem aprendeu a dançar conforme a música eleitoral?”, questionou.

Ainda segundo ele, a redução pode funcionar como uma moeda de troca política.

“Neste contexto, a redução do IPVA torna-se mais uma moeda de troca, cuidadosamente lançada na mesa política, para garantir ao atual governador uma cadeira confortável no Congresso Nacional. Se ele agiu de boa-fé ou apenas seguiu o manual da velha política, deixamos para o tempo julgar — embora a resposta já esteja, para muitos, escancarada”, disse.

Movimentos políticos

Esse possível movimento em direção ao Congresso pode deixar desafios para quem assumir o governo em 2027. O economista Altamir Cordeiro lembrou que, em 2022, Wilson Lima propôs o aumento da alíquota do IPVA: de 2% para 3% em 2023, alcançando 4% entre 2024 e 2025. Agora, o projeto busca retornar aos 2% de 2022.

“O que podemos entender é que o aumento das alíquotas elevou bastante a inadimplência e, ao invés de aumentar a receita, houve queda na arrecadação. Por outro lado, teremos um ano eleitoral e, de certa forma, pode ser uma medida popular, visando o pleito”, afirmou Cordeiro.

Ele destacou, no entanto, a necessidade de responsabilidade fiscal diante da proposta. “Sabemos que a redução de impostos é sempre bem-vinda; no entanto, deve haver responsabilidade fiscal para não prejudicar a máquina pública. A redução em 50% no valor do IPVA deverá, sim, causar a necessidade de compensação, pois irá reduzir a arrecadação desse imposto e a partilha com os municípios onde os veículos são licenciados”, avaliou.

Em termos políticos, a proposta pode fortalecer a imagem de Wilson Lima na corrida de 2026. Porém, transfere ao sucessor o desafio de administrar a perda de arrecadação. Caso o governador se desincompatibilize, o vice Tadeu de Souza (Avante) assumiria o cargo e poderia disputar a reeleição, enquanto Omar Aziz e Maria do Carmo permanecem na disputa pelo governo.

Na pesquisa mais recente, divulgada pelo Instituto Perspectiva, Mercado e Opinião, se a eleição fosse hoje, entre os três pré-candidatos ao governo do Amazonas, 40% optariam por Omar Aziz, 27% escolheriam Maria do Carmo e 7% optariam por Tadeu de Souza.

LEIA MAIS: