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22 de abril de 2021
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Restaurantes de Manaus fazem manobras para fugir da crise durante pandemia

Apesar do retorno, para alguns, a flexibilização chegou tarde demais e o horário não favoreceu todos os estabelecimentos

Restaurantes de Manaus fazem manobras para fugir da crise durante pandemia
Devido a um decreto, os estabelecimentos só podem funcionar com o serviço de delivery. (Foto: Márcio Silva/ Portal AM1)

O governo estadual tem flexibilizado as medidas estabelecidas de isolamento social e o funcionamento de estabelecimentos que pudessem gerar aglomeração. Com isso, somente no mês passado, foi permitido o retorno de restaurantes, praças de alimentação e shoppings com restrições sanitárias.

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O Portal AM 1 conversou com empresários do ramo para saber mais detalhes a respeito de como esses estabelecimentos sobreviveram à crise no período de isolamento social e quais foram as estratégias para mantê-los em funcionamento.

Para a capital amazonense, foi definido, até meados de fevereiro, que estabelecimentos como restaurantes e lanchonetes só funcionariam por meio de serviços de delivery e drive-thru. Nesse período, a classe comercial do estado e associações de bares, restaurantes, academias e shoppings em geral buscaram elaborar planos técnicos de retorno.

Somente no dia 22 de fevereiro, os estabelecimentos registrados como ‘restaurantes’ na classificação principal do CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas), padarias, lanchonetes, sorveterias e similares, voltaram a abrir para o público das 6h às 16h, de segunda-feira a sábado, com capacidade restrita a 50% de ocupação.

Apesar do retorno, para alguns, a flexibilização chegou tarde demais e o horário não favoreceu todos os restaurantes. Essa é a opinião de Taiana Oliveira, gerente do restaurante Casa Mineira, localizado na região Centro-Sul da capital. Durante a pandemia, o restaurante fechou as portas e não conseguiu sobreviver com os serviços de delivery.

“Nós tentamos abrir, no delivery, e tudo, mas não deu certo. Então, nós optamos por fechar. Financeiramente não deu retorno, a gente gastava muito mais para realizar os serviços, saía muito mais do que entrava”, explica a gerente. Taiana ainda explica que, para não “quebrar totalmente”, ela e a família tiveram que fazer empréstimos.

“Na verdade, se for pensar bem na lógica, estava muito difícil e não tínhamos o que fazer, a única renda da nossa família era o restaurante, então, tivemos que fazer um empréstimo. E olha, para a gente não ter quebrado de vez, o que salvou foi esse empréstimo”, desabafa. A Casa Mineira chegou a ter 8 funcionários antes da pandemia; todo o quadro foi demitido. Ainda assim, Taiana espera voltar a abrir o restaurante após a pandemia.

Apesar de alguns restaurantes não terem conseguido sobreviver ao período, outros estabelecimentos conseguiram driblar a crise. Um deles foi o restaurante vegetariano Edi Sabor Natural, localizado no bairro Adrianópolis, também na região Centro-Sul de Manaus.

“Conseguimos nos manter no delivery, apesar da nossa demanda ser um pouco diferente, por sermos um restaurante vegetariano, continuamos com força total nas redes sociais. Investimos muito com a internet, e, mesmo para um restaurante de culinária diferenciada, conseguimos nos manter”, diz a gerente Edinelza Araújo.

A gerente conta, ainda, que o quadro de funcionários foi reduzido para apenas três pessoas. Apesar da flexibilização ter sido aprovada pela empresária, o movimento continua fraco, segundo ela.

“Quando fechamos pelas medidas do decreto, ficamos sobrevivendo com apenas 30% da nossa renda. Foi um momento difícil, mas não perdemos o entusiasmo e procuramos sempre investir em posts na internet. Hoje, estamos funcionando e recebendo clientes com capacidade reduzida, mas o nosso forte continua na web”, declara.

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O que diz a Abrasel

O Portal Amazonas 1 buscou a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abresel) para um espaço na matéria a respeito do assunto. Segundo a comunicação da entidade, o setor empregava, diretamente, mais de 80 mil pessoas e, indiretamente, cerca de 160 mil. Até o fim de fevereiro, a estimativa era que pelo menos 30% dos colaboradores desse setor fossem demitidos.

“Estamos, agora, na flexibilização, e vivemos hoje a estimativa de demissões em massa. As empresas do ramo, que estão no mercado, hoje, estão diante do fim das negociações com seus colaboradores; eles retornam agora das férias adiantadas e folgas acumuladas. Restaurantes tentam, hoje, não entrar na planilha de 10 mil demissões em massa”, diz a assessoria.

Em um vídeo enviado pela assessoria, o presidente da associação, Fábio Cunha, fala sobre a empregabilidade do setor e resume as perdas do ramo em pelo menos 30%. Os prejuízos estão relacionados a empréstimos, negociações com colaboradores e falta de recursos para manter funcionários.

Crescimento em aberturas de empresas

Durante o mês de fevereiro, foram abertos 567 novos empreendimentos no Amazonas; enquanto que em janeiro de 2021, foram 551 novos negócios. De acordo com a Junta Comercial do Amazonas (Jucea), 230 negócios voltados para o comércio foram abertos e outras 306 empresas foram abertas com setores voltados para prestação de serviços – um crescimento de 2,9% no número de empresas constituídas no estado.

Leia mais: Número de empresas no Amazonas cresceu 2,9% durante o mês de fevereiro

“Especificamente, as modalidades de serviço ou comércio não podem ser identificadas, mas estamos em uma pandemia onde apenas serviços de natureza essencial estão funcionando”, explica a assessoria, segundo decretos governamentais, entre serviços essenciais estão inclusos: farmácias, comércios de gêneros alimentícios; restaurantes; padarias; confeitarias e empresas de delivery variadas.

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