Manaus, 6 de julho de 2026
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Cenário

Rodrigo Guedes chama CMM de ‘chiqueiro’ e provoca revolta entre vereadores

Ataque à instituição provoca a reação de Gilmar Nascimento e Dione Carvalho, que rebateram duramente a fala de Guedes.

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(Foto: Divulgação/Cleuton Silva/Kelvin Dinelli/Assessoria)

Manaus (AM) – O clima ficou tenso na sessão desta terça-feira (18) na Câmara Municipal de Manaus (CMM) após o vereador Rodrigo Guedes (PP) se referir ao Legislativo municipal como um “chiqueiro”. A declaração provocou forte reação entre os parlamentares, Gilmar Nascimento (Avante) e Dione Carvalho (Agir), que rebateram a fala em plenário.

Durante seu discurso, Guedes afirmou sentir “vergonha” do que ocorreu na sessão anterior, que tratou da reforma da Previdência e da votação em formato híbrido. O parlamentar ainda utilizou expressões como “podre”, “fétido”, “sórdido” e “sujo” ao se referir à Casa Legislativa.

“Isso aqui, ao meu ver, desculpa dizer, mas isso aqui é um chiqueiro. A CMM é um chiqueiro. Para mim é podre, fétido, sórdido, sujo, é inescrupuloso, e eu senti muita vergonha do que aconteceu ontem aqui”, declarou Guedes.

A fala gerou imediata reação de Gilmar Nascimento, que solicitou ao presidente da Casa que as palavras fossem retiradas dos registros taquigráficos e criticou duramente o colega.

“Chiqueiros são de porcos. Mas ele está dentro da casa também. Eu não sou porco e eu respeito a todos. Acho que não tem nenhum porco aqui, senhor presidente”, afirmou.

Gilmar citou o artigo 105, inciso 7, do regimento interno, que proíbe vereadores de se referirem de forma “descortês e injuriosa” à Câmara, aos colegas e aos membros dos poderes públicos. Segundo ele, as declarações de Guedes desrespeitam a instituição e passam uma imagem equivocada para a população.

O vereador também defendeu a proposta de alteração do regimento interno, criticada por Guedes, e explicou que a medida segue modelos adotados por outras cidades e entes federativos ao regulamentar sessões híbridas em situações excepcionais.

“Dizer que a Câmara é um chiqueiro não traduz respeito. Se eu achasse que a Câmara fosse um chiqueiro, eu não estaria mais aqui”, disse.

O parlamentar ainda reforçou que divergências políticas não justificam ataques pessoais ou institucionais.

“Ofender não dá. Aí tem que acionar comissão de ética, tem que fazer alguma coisa”, afirmou.

Após a fala de Gilmar, o vereador Dione Carvalho (Agir) também se manifestou contra a declaração de Rodrigo Guedes, classificando a atitude do colega como um desrespeito ao parlamento e aos 41 vereadores eleitos pela população.

Segundo Dione, críticas são legítimas, mas não podem ultrapassar os limites do decoro parlamentar.

“Discordar é normal, faz parte da democracia. Mas chamar a Câmara de chiqueiro é um ataque a todos nós e à própria instituição que representamos. É preciso responsabilidade ao usar a tribuna”, declarou.

Dione reforçou ainda que o debate político não deve se transformar em ofensa pessoal ou institucional. Para ele, Guedes “passou dos limites” ao generalizar e colocar todos os parlamentares sob a mesma acusação.

Em resposta às manifestações de Gilmar Nascimento e Dione Carvalho, o vereador Rodrigo Guedes reafirmou suas declarações e voltou a criticar a atuação da Câmara Municipal de Manaus.

“Eu disse que, para mim, a Câmara Municipal de Manaus é um chiqueiro, e os vereadores Gilmar Nascimento e Dione Carvalho se sentiram ofendidos. Enquanto os vereadores de Manaus não se comportarem com o mínimo de dignidade, vou dizer aquilo que a esmagadora maioria da população pensa: a Câmara Municipal de Manaus é um chiqueiro”, afirmou.

Guedes acusou o Legislativo de desrespeitar regras e procedimentos legais, especialmente na aprovação da reforma da Previdência.

“Querem aprovar algo? Pelo menos respeitem as regras legais e a decência, ainda que todos saibamos o que acontece nos bastidores e como governantes atraem parlamentares para sua base aliada”, disse.

O vereador alegou que a reforma foi aprovada “desrespeitando procedimentos obrigatórios” e criticou ainda a votação, no mesmo dia, das sessões híbridas e das mudanças no regimento interno, que, segundo ele, dão ao presidente da Casa liberdade para definir a data da eleição da Mesa Diretora.

“Hoje existe dia e hora certos para essa eleição: o primeiro dia útil de dezembro. Com essas mudanças, o presidente poderá marcar quando quiser no segundo semestre”, declarou.

Guedes encerrou afirmando que não pretende recuar das críticas:

“Como querem respeito assim? Não vou respeitar, porque vocês não respeitam a moral, a ética e a população. Podem ficar com mimimi”, concluiu Guedes. 

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