Manaus, 3 de setembro de 2026
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Cenário

Rogério Marinho ‘bate boca’ com Omar Aziz e manda senador estudar mais

Senadores divergiram sobre os impactos econômicos da redução da jornada sem diminuição dos salários durante discussão na CCJ.

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(Foto: Geraldo Magela & Ton Molina/Agência Senado)

Manaus (AM) – O senador Rogério Marinho (PL) e o senador Omar Aziz (PSD) protagonizaram uma discussão que elevou os ânimos durante debate na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), nesta quarta-feira (2), sobre o fim da escala 6×1.

A discussão entre os dois parlamentares começou após o líder da oposição, Rogério Marinho, alegar que a redução da jornada, sem diminuição dos salários, elevaria os custos das empresas e, consequentemente, os preços de produtos e serviços.

Buscando destacar o lado do empregador, Marinho alegou ainda a falta de medidas de compensação aos empresários e afirmou que não seria possível reduzir a jornada mantendo os salários sem consequências econômicas. “Reduzir jornada e manter os salários significa que os empresários vão ter que repassar os custos”, disse o senador.

Na ocasião, Marinho afirmou ainda que as pessoas que pregam o contrário disso ou agem de “má-fé” ou são “burras”.

“Isso indigna. É você aproveitar um momento como esse para subverter o país em nome de um projeto de poder”, alegou Marinho.

A resposta provocou reação de Omar Aziz, que é o relator da proposta. Durante o debate, Omar afirmou que o senador Rogério teria se exaltado e usado “palavras duras para colegas”.

O relator da proposta e candidato ao Governo pelo Amazonas relembrou ainda que o projeto do fim da escala 6×1 recebeu apoio de deputados do Partido Liberal, sigla à qual Rogério Marinho pertence, e questionou se ele estendia as críticas aos correligionários.

“Vossa Excelência está dizendo que no seu partido tem gente leviana, incompetente e burra?”, perguntou.

Durante a votação da Câmara dos Deputados em maio deste ano, 83 deputados do PL votaram “sim” pelo fim da escala 6×1, entre eles Nikolas Ferreira (PL) e o deputado federal Capitão Alberto Neto.

Ainda em discussão, o senador Omar Aziz acusou o senador Rogério Marinho de defender uma proposta voltada aos interesses dos empregadores durante debate parlamentar. Na ocasião, o parlamentar do Amazonas afirmou que a medida em discussão favorece a classe patronal. “Acordo individual, senador Rogério, é assédio ao trabalhador, sim. Acordo coletivo, não. Eu não defendo assédio ao trabalhador, eu defendo o acordo coletivo”, declarou Omar.

Rogério Marinho reagiu às críticas e contestou os argumentos apresentados por Omar Aziz em relação ao mercado de trabalho dos Estados Unidos. O líder da oposição pediu que o colega estudasse mais o tema e sustentou que o congressista amazonense apresentou informações incorretas durante o debate.

Em resposta, Omar Aziz afirmou que trabalhadores latino-americanos são tratados “como escravos” nos Estados Unidos. A discussão se intensificou na sequência, com interrupções registradas de ambos os lados.

Rogério Marinho rebateu a declaração sobre o panorama internacional e reiterou que os dados citados estavam incorretos.

“Vou reiterar que o dado que a Vossa Excelência falou aí está completamente equivocado. 55% da força de trabalho dos Estados Unidos é hora trabalhada, estude mais um pouquinho”, disse Marinho.

O líder da oposição também questionou a afirmação do colega sobre a ocorrência de trabalho escravo no território norte-americano.

A troca de acusações prosseguiu com novas manifestações do líder da oposição em relação às críticas feitas à proposta constitucional.

“Primeiro ponto, Vossa Excelência, estude mais, que errou. Deu um número errado, equivocado e leviano. Estude mais. Segundo, Vossa Excelência faz uma afirmação de que é PEC de patrão. Novamente eu reitero, Vossa Excelência está entrando na onda do Robin Hood”, afirmou Rogério Marinho.

Votos

No debate na CCJ, o Senado aprovou o relatório da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que reduz a jornada de trabalho e acaba com a escala 6×1, com votos contrários de Hamilton Mourão (Republicanos/RS), Jaime Bagattoli (PL/RO), Rogério Marinho (PL/RN) e Tereza Cristina (PP/MS).

Foram favoráveis os votos dos senadores Camilo Santana (PT/CE), Dr. Hiran (PP/RR), Eduardo Braga (MDB/AM), Eliziane Gama (PSD/MA), Fabiano Contarato (PT/ES), Jader Barbalho (MDB/PA), Jayme Campos (União/MT), Jorge Seif (PL/SC), Laércio Oliveira (PP/SE), Lourdinha Pereira (PSB/MA), Magno Malta (PL/ES), Omar Aziz (PSD/AM), Oriovisto Guimarães (PSDB/PR), Otto Alencar (PSD/BA), Professora Dorinha Seabra (União/TO), Renan Calheiros (MDB/AL), Rodrigo Pacheco (PSB/MG), Rogério Carvalho (PT/SE), Soraya Thronicke (PSB/MS), Styvenson Valentim (Podemos/RN), Vanderlan Cardoso (PSD/GO), Veneziano Vital do Rêgo (MDB/PB) e Weverton Rocha (PDT/MA).

 

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